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Segredo para o match perfeito: empresas dizem o que avaliam na hora de contratar

Segredo para o match perfeito: empresas dizem o que avaliam na hora de contratar

Gestores de grandes empresas, como Vale e Águia Branca, revelam os diferenciais que buscam nos profissionais na hora da seleção. Para quem quer estar no mercado de trabalho, é necessário buscar qualificações técnicas e experiência

Publicado em 29 de setembro de 2023 às 05:00

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Jovens buscam orientação para escolherem e desenvolverem a carreira
Jovens buscam orientação para escolherem e desenvolverem a carreira. (Shutterstock)

Planejar uma carreira é um processo importante para um caminho sólido em direção aos objetivos. E não é de hoje que um diploma na mão não é mais sinônimo de garantia de colocação no mercado ou de estabilidade. Cada vez mais, a linha tênue entre qualificação técnica e valores pessoais se estreita, de forma que empresas, nos tempos atuais, não buscam só profissionais nota 10, mas também pessoas que tenham convergência de propósito.

De acordo com Joyce Rocha Gomes, gerente de Gente e Gestão da Suzano Unidade Aracruz, para além das qualificações técnicas e experiência necessárias para cada função, a empresa busca características individuais que se alinhem à visão e aos valores da multinacional.

Joyce Rocha Gomes
GERENTE DE GENTE E GESTÃO DA
SUZANO UNIDADE ARACRUZ
Joyce Rocha Gomes,  gerente de Gente e Gestão da Suzano Unidade Aracruz. (Divulgação)
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Procuramos profissionais que tenham uma mentalidade aberta e proativa em relação ao aprendizado contínuo, pois acreditamos que a evolução constante é crucial em um ambiente em constante mudança.

Joyce Rocha Gomes
Gerente de Gente e Gestão da Suzano Unidade Aracruz
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A capacidade de ter um olhar criativo para as atividades cotidianas e pensar de maneira inovadora é outra qualidade valorizada pelo ambiente corporativo, pois permite enfrentar desafios complexos com soluções originais.

Ser rápido e ter vontade de aprender é, também, uma característica muito observada por quem está contratando, segundo observa Leonardo Vieira, o fundador e CEO da startup de soluções industriais Tractian, que acabou de ser avaliada em R$ 1 bilhão pelo fundo norte-americano General Catalyst.

“Esperamos profissionais que tenham muita vontade de aprender e que consigam aprender rapidamente dos assuntos mais simples aos mais complexos. Procuramos pessoas apaixonadas e resilientes que realmente querem construir algo muito grande”, complementa Vieira, que é capixaba e fundou sua startup com outros dois sócios.

E se essa busca por “paixão” é um ingrediente presente em uma startup, o mesmo pode-se dizer de quem está há décadas no mercado, como é o caso da Vale. Para a construção da carreira na companhia, além do conhecimento técnico, habilidades emocionais e sociais são avaliadas nos processos seletivos, conforme informa o gerente de Aquisição de Talentos da Vale, Ricardo Pina.

Ricardo Pina
GERENTE DE AQUISIÇÃO DE TALENTOS DA VALE
Ricardo Pina,  gerente de Aquisição de Talentos da Vale:  valorização da diversidade. (Divulgação)

“Com um time de recrutamento letrado e treinado para isso, todos os programas de porta de entrada e recrutamento levam em conta diferentes dimensões de diversidade. A empresa tem a meta de dobrar a representatividade de mulheres em sua força de trabalho até 2025”, frisa Pina. Segundo ele, entre os comportamentos-chave esperados estão empoderamento com comprometimento, diálogo aberto e transparente e foco em executar as atividades com segurança.

Habilidades comportamentais

A preparação para as novas habilidades e exigências do mercado é essencial em um cenário de constante evolução. As soft kills, por exemplo, são habilidades pessoais e interpessoais que não estão diretamente ligadas a conhecimentos técnicos ou específicos de uma área de atuação. Elas se referem às características e traços emocionais que influenciam a forma como as pessoas interagem com os outros, lidam com desafios e resolvem problemas.

Lucas Pereira, CEO da startup educacional Be Water, acredita que são extremamente importantes porque desempenham um papel fundamental na eficácia e sucesso profissional e pessoal de um indivíduo.

“Elas afetam a maneira como alguém se comunica, colabora, lidera, resolve conflitos, se adapta a mudanças e lida com situações desafiadoras. Ter um conjunto forte de soft skills pode melhorar a produtividade, a eficácia na resolução de problemas, a comunicação e até mesmo o bem-estar geral”, afirmou o CEO.

Ainda segundo Pereira, os exemplos de soft skills em alta no mercado incluem adaptabilidade, pensamento criativo, pensamento analítico, curiosidade e aprendizagem contínua, além de motivação e autoconsciência.

“Essas habilidades são destacadas pelo Fórum Econômico Mundial como essenciais para o sucesso profissional em um ambiente em constante evolução”, aponta.

O futuro das carreiras aponta para a tecnologia

Os trabalhos repetitivos e a ideia de entrar e trabalhar por muitos anos em uma empresa estão chegando ao fim, segundo especialistas. Com as mudanças de comportamento dos jovens profissionais e do perfil desejado pelas companhias, o futuro tem uma regra: chega de mesmice.

Para o diretor de Tecnologia e Inovação do Grupo Águia Branca, Janc Lage, é necessário pensamento crítico e inovador, além de capacidade de se adaptar a mudanças tecnológicas e de abraçar novas formas de trabalho. Na empresa, valorizam-se a diversidade, a inclusão e a capacidade de aprender constantemente.

Mas também é necessária uma educação continuada, tanto formal quanto informal, para desenvolver habilidades relevantes. Estágios, trabalhos voluntários e projetos pessoais podem enriquecer o currículo. Networking, participação em eventos e acompanhamento das tendências são outras frentes que fazem parte desse conjunto.

Janc Lage, diretor de Tecnologia e Inovação do Grupo Águia Branca. (Divulgação)
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Procuramos, prioritariamente, além das habilidades necessárias para o cargo, candidatos alinhados aos valores da organização

Janc Lage
Diretor de Tecnologia e Inovação do Grupo Águia Branca
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Leonardo Vieira, fundador e CEO da Tractian, vai na mesma direção; para ele, o perfil ideal é o de alguém que vai além das suas responsabilidades diárias e está sempre pronto para resolver problemas e identificar oportunidades e trabalhar com afinco.

“Inteligência emocional é importante para aguentar a jornada e, por último, buscamos sempre construções de coisas reais, ou seja, o que a pessoa já fez de fato dentro daquela área que ela quer trabalhar. O que ela já construiu e não apenas o que estudou”, explica.

Inteligência artificial: ameaça ou oportunidade?

A inteligência artificial (IA), hoje alvo de muitas discussões, não vai deixar pessoas desempregadas. Essa tecnologia pode substituir empregos que envolvam tarefas repetitivas e específicas, mas também pode criar novos empregos. O X da questão é como os trabalhadores que já estão no mercado de trabalho vão se adaptar e acompanhar as possibilidades abertas neste novo ciclo tecnológico, avaliam empresas e especialistas.

De acordo com a psicóloga e gestora de Recursos Humanos Luciana Baraviera, a IA torna os processos de seleção mais ágeis, pois os filtros estabelecidos geram assertividade na busca dos candidatos, proporcionando mais tempo para as etapas que demandam análise mais detalhada do perfil profissional.

“As empresas buscam por profissionais que estejam interessados no seu desenvolvimento e consequentemente comprometidos com entregas de qualidade. Pessoas engajadas não somente em cumprir demandas, mas que também possuam capacidade de propor e estão abertas a novas”, analisa Luciana.

O fundador da Tractian, Leonardo Vieira, é categórico ao dizer que as profissões vão se reinventar. 

Leonardo Vieira, fundador da Tractian
Leonardo Vieira, fundador da Tractian. (Divulgação/Tractian)
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Muita gente fala que a inteligência artificial vai acabar com o trabalho das pessoas e faz um alarde muito grande sobre isso. As profissões que vão se reinventar serão as que souberem manejar essas novas tecnologias e utilizá-las para otimizar o trabalho.

Leonardo Vieira
Fundador da Tractian
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DNA inovador

No início de agosto, a Suzano recebeu o prêmio Valor Inovação 2023, tendo sido reconhecida pela consultoria Strategy& e pelo jornal Valor Econômico como a empresa mais inovadora do Brasil, num cenário de 25 categorias e concorrendo com outras 149 empresas do país. A empresa destina, em média, 1% do faturamento líquido para investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação.

“Possuímos quatro centros de pesquisas no Brasil, sendo três em São Paulo e um em Aracruz, que tem foco em desenvolvimento de celulose e controle de pragas. Estamos sempre atentos às demandas e tendências do mercado. Por isso, investimos na constante formação dos nossos colaboradores, por meio de cursos e treinamentos periódicos”, afirma a gerente de Gente e Gestão da Suzano Unidade Aracruz, Joyce Rocha Gomes.

O exemplo mostra que, assim como os profissionais, as empresas precisam buscar formas de receber as profissões do futuro. “A colaboração com instituições educacionais e startups também ajuda a garantir que estejamos atualizados com as demandas do mercado”, observa Janc Lage, diretor de Tecnologia e Inovação do Grupo Águia Branca.

Segundo Joyce, a formação de uma equipe diversificada e colaborativa é fundamental para a missão da empresa de impulsionar transformações: “Procuramos indivíduos que se conectem com nossa cultura, que sejam não apenas agentes de mudança, mas também geradores e compartilhadores de valor”.

Para a psicóloga Luciana Baraviera, as áreas de marketing estão muito em evidência e em consonância com ferramentas ágeis. Ela ainda destaca a importância no desenvolvimento e investimento no treinamento de pessoas.

“O treinamento e desenvolvimento contribuem diretamente no crescimento e performance dos colaboradores através das competências técnicas e comportamentais definidas pela empresa, podendo assim alavancar os resultados”, finaliza.

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