Celulares, televisores, tablets, computadores… Em um mundo conectado, a exposição a diferentes telas é quase um movimento constante. Consequentemente, a quantidade de estímulos visuais também aumenta de modo significativo, e a concentração acaba sendo diretamente afetada com a fragmentação da atenção.
Para os mais jovens, o impacto é sentido na rotina de aprendizagem, que exige foco na hora dos estudos. Aliadas nesse processo, metodologias ativas trabalham com ferramentas que capturam a atenção do aluno e estimulam-no a consumir o que está sendo passado durante a aula.
“A pedagogia aposta em metodologias de ensino que colocam o aluno em situações desafiadoras. Ele assume o lugar principal para realizar determinada atividade. Tudo isso para estimular e tirar o aluno de uma situação de conforto e para que ele possa ir além dos próprios limites”, afirma Cleonara Schwartz, professora do Departamento de Linguagem, Cultura e Educação da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Ela explica: o jovem é colocado em inúmeras situações na tela, com resposta imediata. Por isso, permanece naquele espaço, pois naquela interação instantânea aguarda uma recompensa que acompanha aquele comando.
Psicóloga educacional do Senac Espírito Santo, Alice Barcellos destaca que, para trabalhar o foco do aluno, é preciso desenvolver algumas estratégias a fim de gerenciar os estímulos. Entretanto, reforça, a concentração também é uma habilidade.
“E assim como muitas outras, não é algo que simplesmente o aluno tem ou não. A concentração pode ser desenvolvida. Ele não tem de nascer com a capacidade de concentração. Claro que tem alunos que naturalmente terão mais facilidade para se concentrar, mas existem estratégias para desenvolver isso”, enfatiza.
Na busca por mais foco, o primeiro passo é organizar o ambiente onde será feito o estudo, até mesmo dentro da sala de aula. O celular precisa ser utilizado apenas como um aliado, nos momentos em que for realmente necessário. Do contrário, pode ser deixado de lado.
Além disso, a psicóloga também recomenda traçar algumas metas e objetivos, por menores que sejam. No lugar de escolher uma matéria para estudar, por exemplo, o aluno pode delimitar uma quantidade de questões, o que permite a sensação de concluir aquela tarefa e evita que esse processo se torne exaustivo ou maçante.
Outra dica é tornar aquela situação algo palpável no mundo, como tornar aquele desafio algo real. Essa estratégia é amplamente utilizada na educação profissional para que o estudante consiga reconhecer utilidade naquilo que está sendo ensinado e absorva o conteúdo por meio de uma concentração maior, como explica a diretora de Educação Profissional do Senac ES, Dianimer Dutra.
“Na educação profissionalizante, aqui no Senac, a gente tem uma conexão muito sistemática. Hoje, temos estratégias de desenvolvimento que conectam o mundo do trabalho com situações reais ou simuladas em ambientes de alta fidelidade, onde o docente vai sendo mediado em situações de aprendizagem, que são os desafios do mundo real do trabalho mesmo”, destaca.
A diretora explica que esses processos facilitam a concentração e chamam o aluno para o foco. Tudo aliado ao uso de tecnologia para que a sensação de imersão seja sempre na totalidade.
“Não podemos generalizar e dizer que o problema é do jovem, porque ele de fato vive em um ambiente de muitos estímulos. A atenção, mesmo que variável, pode ser desenvolvida”, finaliza.