Pelo segundo dia consecutivo, passageiros do Transcol sofrem com a paralisação de empresas ligadas ao sistema. Depois que rodoviários bloquearam na terça-feira (12) a saída de ônibus da Viação Santa Zita, em Viana, nesta quarta foi a vez de motoristas e cobradores da empresa Praia Sol, em Vila Velha, também cruzarem os braços. Com isso, milhares de pessoas estão impedidas de tocar a vida, o que não pode ser permitido.
Os passageiros sofrem duplamente. Já encaram diariamente as más condições do sistema de transporte, com ônibus lotados, desconforto, atrasos e assaltos, agora são penalizados com a paralisação do serviço. Ruim com ele, muito pior sem ele.
Registre-se, ainda, que a greve acontece dias depois do aumento de mais de 10% no valor da passagem, que passou de R$ 3,40 para R$ 3,75, e do aumento recorde do subsídio pago pelo Estado às empresas do sistema, que registrou um salto de 72%, indo de R$ 0,61 para R$ 1,06. Mesmo que indiretamente, esse valor também é pago pelos contribuintes.
A greve é uma garantia legal dos trabalhadores. Mas as mesmas leis que asseguram o direito à paralisação das atividades também impõem limites a esses movimentos, para evitar abusos e prejuízos à coletividade. Este caso do Transcol é mais grave porque a demanda da categoria, a respeito de jornada reduzida, já tinha previsão de decisão judicial para esta quarta. Por que não aguardar?
Transporte público é uma necessidade básica da população, para ir ao trabalho, à escola, ao médico. Por isso proibir a circulação da frota de empresas, interrompendo por completo o serviço de várias linhas, não é admissível. A liberdade de uns não pode atropelar o direito de outros.