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Opinião da Gazeta

Petrobras dá exemplo a Brasília de que é possível se reerguer

Resultado decepcionante do PIB brasileiro mostra que o país precisa seguir o exemplo de recuperação da estatal, que lucrou R$ 25,8 bilhões em 2018

Publicado em 01 de Março de 2019 às 12:48

Públicado em 

01 mar 2019 às 12:48

Colunista

Sede da Petrobras no Espírito Santo, na Reta da Penha Crédito: Vitor Jubini/Arquivo

A Petrobras foi o pivô da crise política que acabou mudando os rumos do país nesta década. Saqueada para encher o bolso de políticos e apaniguados e financiar projetos de poder, a companhia esteve perto do fundo do poço. Após quatro anos no vermelho, conseguiu dar a volta por cima: em 2018, a estatal registrou lucro líquido de R$ 25,8 bilhões, seu maior patamar desde 2011, antes mesmo da descoberta do propinoduto pela Lava Jato, iniciada em 2014. Um êxito que até poderia ter sido maior, não fosse o impacto de questões judiciais e baixas contábeis. Entre eles, o próprio acordo, envolvendo o Parque das Baleias, que deve render R$ 11,5 bilhões ao governo do Espírito Santo.

O resultado positivo mostra que é importante olharmos o que foi feito por lá. Basicamente, a empresa não só deixou as relações nocivas com o poder, mas também passou a investir em governança e práticas transparentes. Reduziu custos, vendeu ativos desnecessários, enfim, fez aquilo que o Brasil já deveria estar fazendo para voltar aos trilhos: ajustou-se para recuperar a confiança de investidores. A prova de que uma gestão competente e responsável pode ser a diferença, mesmo em crises que parecem irreversíveis.

Ironicamente, o resultado positivo da Petrobras ocorreu num ano em que uma greve de caminhoneiros de dimensões quase continentais obrigou a empresa a mudar sua política de preços e a trocar seu comando. A mesma paralisação que jogou para baixo as expectativas de um crescimento mais robusto da economia no país, no mesmo período. Os resultados do PIB mostram um avanço pífio de 1,1% em 2018. O desempenho decepcionante repetiu o ritmo de 2017. A greve foi um revés comum, mas os resultados acabaram distintos, com a Petrobras retomando a lucratividade e o Brasil se mantendo estagnado, sem engatar uma recuperação satisfatória.

Levando-se em conta que gerenciar uma empresa, mesmo do porte da Petrobras, não se compara a governar um país, ainda assim a estatal serve como um microcosmo que mostra que se reerguer é possível quando se aposta em eficiência administrativa. O país precisa impor suas reformas (a da Previdência prioritariamente), enxugar sua máquina, refundando o Estado. A Petrobras limpou sua imagem com profissionalismo. É possível repetir isso em Brasília.

 

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