A educação tem papel relevante na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, mas continua sendo constantemente vilipendiada. O caso da Escola Estadual Aristóbulo Barbosa Leão, em Laranjeiras, na Serra, que há sete anos funciona provisoriamente num espaço considerado inadequado para a aprendizagem, não é o primeiro e, infelizmente, não será o último no qual alunos e professores serão obrigados a passar por uma via-crúcis para atingirem resultados educacionais minimamente satisfatórios. Dadas as condições estruturais disponíveis para o ensino, são verdadeiros guerreiros na batalha diária para atingir esse propósito, enquanto o poder público dá provas de que não encara a educação como prioridade.
Desde 2012, quando os estudantes da escola foram realocados no prédio onde estão até hoje, em instalações consideradas deficientes e ao mesmo tempo dispendiosas para os cofres públicos estaduais (em 2018, o aluguel era de R$ 70 mil por mês), pode-se dizer que o que era para ser provisório acabou se cristalizando. Após rescisão de contrato e decisão pela demolição do antigo prédio na gestão passada, a promessa agora é de que a escola estará pronta em 2022. Mas tudo começará do zero, com o edital de licitação previsto para dezembro.
O resultado mais visível desse infortúnio social é a situação dos próprios alunos, vítimas de um descaso que se prolonga tanto, a ponto de mais de uma geração atravessar todo o ensino médio nessa situação de precariedade. “Minha irmã estudou lá, ouvia as promessas, já se formou e não tem um novo prédio. Pelas novas promessas, quando a escola ficar pronta, eu não vou estudar mais lá. No fundo eu tenho esperança.” O relato da aluna do segundo ano, que preferiu não se identificar à reportagem deste jornal, explicita bem o drama de como a infraestrutura deficiente deixará uma lembrança amarga dos anos escolares a esses jovens.
A decisão pela demolição das antigas instalações da Aristóbulo Barbosa Leão levou em consideração que reparos simples exigiriam novas intervenções em um curto espaço de tempo. Decidiu-se pela reconstrução. Contudo, nada justifica tanta demora: entre a transferência dos jovens e o prazo prometido para a entrega da escola, terão se passado dez anos. A educação ainda é tratada como algo provisório, com remendos e improvisos, para ser resolvida mais tarde. Mas seus efeitos são permanentes e cruciais para definir o tipo de sociedade que podemos e queremos ser.