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Opinião da GAZETA

Educação não pode ser na base do improviso como em escola da Serra

Escola Estadual Aristóbulo Barbosa Leão, em Laranjeiras, na Serra, há sete anos funciona provisoriamente num espaço considerado inadequado para a aprendizagem

Publicado em 07 de Junho de 2019 às 18:46

Públicado em 

07 jun 2019 às 18:46

Colunista

Prédio principal da escola Aristóbulo Barbosa Leão é demolida Crédito: Reprodução
A educação tem papel relevante na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, mas continua sendo constantemente vilipendiada. O caso da Escola Estadual Aristóbulo Barbosa Leão, em Laranjeiras, na Serra, que há sete anos funciona provisoriamente num espaço considerado inadequado para a aprendizagem, não é o primeiro e, infelizmente, não será o último no qual alunos e professores serão obrigados a passar por uma via-crúcis para atingirem resultados educacionais minimamente satisfatórios.  Dadas as condições estruturais disponíveis para o ensino, são verdadeiros guerreiros na batalha diária para atingir esse propósito, enquanto o poder público dá provas de que não encara a educação como prioridade.
Desde 2012, quando os estudantes da escola foram realocados no prédio onde estão até hoje, em instalações consideradas deficientes e ao mesmo tempo dispendiosas para os cofres públicos estaduais (em 2018, o aluguel era de R$ 70 mil por mês), pode-se dizer que o que era para ser provisório acabou se cristalizando. Após rescisão de contrato e decisão pela demolição do antigo prédio na gestão passada, a promessa agora é de que a escola estará pronta em 2022. Mas tudo começará do zero, com o edital de licitação previsto para dezembro.
O resultado mais visível desse infortúnio social é a situação dos próprios alunos, vítimas de um descaso que se prolonga tanto, a ponto de mais de uma geração atravessar todo o ensino médio nessa situação de precariedade. “Minha irmã estudou lá, ouvia as promessas, já se formou e não tem um novo prédio. Pelas novas promessas, quando a escola ficar pronta, eu não vou estudar mais lá. No fundo eu tenho esperança.” O relato da aluna do segundo ano, que preferiu não se identificar à reportagem deste jornal, explicita bem o drama de como a infraestrutura deficiente deixará uma lembrança amarga dos anos escolares a esses jovens.
A decisão pela demolição das antigas instalações da Aristóbulo Barbosa Leão levou em consideração que reparos simples exigiriam novas intervenções em um curto espaço de tempo. Decidiu-se pela reconstrução. Contudo, nada justifica tanta demora: entre a transferência dos jovens e o prazo prometido para a entrega da escola, terão se passado dez anos. A educação ainda é tratada como algo provisório, com remendos e improvisos, para ser resolvida mais tarde. Mas seus efeitos são permanentes e cruciais para definir o tipo de sociedade que podemos e queremos ser.

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