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Opinião da GAZETA

Bolsonaro devia ler mais a Bíblia

Minimizar protestos e brigar com as ruas pode ser grave erro político. "Não ofendas a população inteira de uma cidade", pregam também as sagradas escrituras

Publicado em 15 de Maio de 2019 às 22:57

Públicado em 

15 mai 2019 às 22:57

Colunista

Manifestantes chegam à Assembleia Legislativa do Espírito Santo Crédito: José Carlos Schaeffer
Os protestos foram convocados por entidades ligadas a sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos. Também participaram da mobilização integrantes de instituições de ensino, de universidades públicas e institutos federais. Além de militantes sindicais ou partidários, havia nas ruas estudantes e professores das redes estadual e federal. Minimizar esse tipo de protesto e brigar com as ruas pode ser grave erro político.
Bolsonaro é cristão e costuma citar passagens da Bíblia. Seu lema de campanha era “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará", costuma repetir. Deveria talvez dedicar mais atenção ao que dizem outros trechos das sagradas escrituras. “Não ofendas a população inteira de uma cidade, não te lances no meio da multidão”, diz o livro Eclesiástico.
O país precisa de um severo ajuste fiscal, sem dúvida. Todo corte gera protestos. O contingenciamento dos recursos das universidades está nesse contexto. O fato de o ministro da Educação ter se referido a “balbúrdia” e “gente pelada” nas universidades públicas pode ter acirrado os ânimos. Agora, Bolsonaro eleva a temperatura.
O presidente já demonstra certa falta de habilidade política ao lidar com o Congresso. Tem sofrido sucessivas derrotas. A reforma da Previdência tramita a passos lentos. Ao atacar assim um movimento legítimo, natural numa democracia, ele joga lenha na fogueira e turva ainda mais o ambiente político, já tensionado desde a sua posse.
Desde a campanha, o presidente parece ter dificuldade de lidar com a divergência e a diversidade. Ao assumir, ele prometeu governar para todos os brasileiros. Prometeu unir o povo, resgatar a esperança e livrar o país “das amarras ideológicas”. Não é bem o que temos visto, infelizmente. Há tempo de corrigir rumos e adotar postura moderadora, mais condizente com o seu papel de chefe da nação.

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