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Opinião da GAZETA

Ataque em Caratoíra reforça a sensação de desamparo dos moradores

É preciso investigar a fundo o que motivou que bandidos descarregassem cerca de 50 tiros na ação, segundo testemunhas. Um pintor acabou morto

Publicado em 28 de Fevereiro de 2019 às 19:33

Públicado em 

28 fev 2019 às 19:33

Colunista

Rua onde Jorge Luiz Viana da Silva, 56 anos, foi assassinado a tiros em Caratoíra Crédito: Reprodução/TV Gazeta

“É a pior sensação da vida”, lamentou o filho do pintor Jorge Luiz Viana da Silva, de 56 anos, brutalmente assassinado quando voltava da comemoração do segundo lugar da Novo Império, em Caratoíra, na noite de segunda-feira. Para quem perde uma pessoa amada para a violência, é a única forma de descrever o vazio que fica. Para a sociedade, em especial a comunidade que é cenário da barbárie, as sensações também são as piores: a de que o desamparo persiste e é questão de tempo para que tragédias se repitam.

Porque não faz tanto tempo que o terror se instalou no Morro do Moscoso, também na região do Centro de Vitória, deixando três mortos e dois feridos, em janeiro, na região limítrofe com o Morro da Piedade, outra comunidade que vem sofrendo com a guerra do tráfico.

Os estampidos dos tiros que vitimaram o pintor e deixaram outras duas pessoas feridas estão gravados e devem ecoar por muito tempo nos pesadelos dos moradores. Não é aceitável permitir que tanta gente tenha que viver em constante estado de pânico, reféns do medo. Nem mesmo os momentos mais felizes, como a boa colocação da escola de samba do bairro, podem ser comemorados em paz.

O ano de 2018 foi marcado pela violência nos morros da região, principalmente na Piedade, e 2019 tampouco está dando trégua. É preciso investigar a fundo o que motivou que bandidos descarregassem cerca de 50 tiros neste ataque, segundo testemunhas, mas sabe-se que a guerra nas comunidades vem mudando a configuração do tráfico em Vitória. Cabe às forças de segurança antecipar os passos desses criminosos, num esforço integrado de combate à violência, com imposição de mais autoridade e desenvolvimento perene de políticas de Estado.

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