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Pagamento às vítimas

MPF questiona valor de indenização divulgado da tragédia de Mariana

Órgão diz que dados são incompatíveis com registros de repasses indicados pela fundação que atua no reparo às famílias atingidas

Publicado em 15 de Fevereiro de 2023 às 20:02

Agência FolhaPress

Publicado em 

15 fev 2023 às 20:02
SÃO PAULO - O MPF (Ministério Público Federal) questionou os valores de indenização que a Fundação Renova diz ter pago às famílias atingidas na tragédia de Mariana (MG).
Lama em Mariana (MG)
Lama em Mariana (MG): valor de indenização é questionado pelo MPF Crédito: Antônio Cruz / Agência Brasil
A Renova, que foi criada para reparar os danos provocados pelo rompimento da barragem, em 2015, e é mantida pelas empresas Samarco, BHP Billiton e Vale, divulgou um balanço de 2022 neste mês. No documento, dizia ter repassado R$ 4,7 bilhões em indenizações e auxílios financeiros emergenciais.
Após a divulgação do dado, porém, o MPF disse que, de acordo com os registros dos pagamentos, foram repassados apenas R$ 3,07 bilhões.
Segundo o MPF, as contas mostram R$ 988 milhões pagos em honorários de advogados que foram "indevidamente descontados das indenizações" e outros R$ 411 milhões de auxílio financeiro emergencial de anos anteriores, retidas pela empresa e liberadas após decisão judicial.
"O ofício enviado pela Fundação mostra que as verbas de indenização e auxílio de 2022 totalizam R$ 3,07 bilhões. Ainda que sejam somadas as quantias que foram pagas no ano passado, mas que dizem respeito a anos anteriores, o montante é de R$ 4,4 bilhões", disse o MPF em nota.
Procurada, a Renova afirma que os R$ 4,7 bilhões abrangem pagamentos realizados em 2022, incluindo valores retroativos e honorários de advogados das pessoas que foram indenizadas.
"Os dados enviados ao Ministério Público Federal não contemplaram R$ 300 milhões pagos em honorários de advogado. Tais valores não são descontados das pessoas indenizadas", disse a organização.

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