A limpeza de tubulação de um navio graneleiro durante a navegação é atípica, segundo o especialista marítimo portuário Luigi Goulart Viana. Manutenções como essas ocorrem, normalmente, em embarcações de combustível.
Nesta quinta-feira (18), após a divulgação de que duas pessoas morreram e que outras três ficaram feridas em acidente no alto-mar, a 300 quilômetros da costa, a empresa dona do AP DUBRAVA afirmou em comunicado ao mercado financeiro que os tripulantes afetados após um suposto vazamento de gás realizavam uma atividade conhecida como “flushing” (limpeza de redes de tubulação).
Considerando situação operacional na qual se encontrava, navegando rumo à Espanha, e o tipo de navio carregado de grãos de malte, o especialista afirma que a intoxicação dos tripulantes em atividade deste tipo caracterizaria uma situação incomum.
Segundo Viana, esse tipo de navio é bastante similar às embarcações que atracam nos portos brasileiros, inclusive em Vitória. “Essa atividade é mais convencional em navios como os que armazenam petróleo. Seria preciso investigar melhor para entender a situação, porque, normalmente, nas condições do navio AP DUBRAVA esse tipo de manutenção parece não fazer sentido”, explica.
O especialista afirma que outra possibilidade para o acidente seria a liberação de gases tóxicos numa área em que o percentual de oxigênio não está sendo controlado.
"Nesses casos, quando a tripulação vai fazer um trabalho dentro de tanques, por falta de ventilação adequada, a baixa quantidade de oxigênio faz com que as pessoas desfaleçam e, sem o socorro, venham a óbito”, comenta Viana.