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Futuro econômico

Empresas aguardam o ajuste das contas públicas para investir R$ 10 bi

Novo quadro fiscal fará empresas destravarem projetos para o ES

Publicado em 30 de Março de 2019 às 01:09

Giordany Bozzato

Publicado em 

30 mar 2019 às 01:09
Projeto da fábrica de bio-óleo, em Aracruz: empresa ainda não sinalizou construção Crédito: Divulgação
A possível aprovação da reforma da Previdência pode trazer mais de R$ 10 bilhões em investimento para o Estado. As novas regras para a aposentadoria serão essenciais para empreendedores locais e de fora destravarem projetos importantes para recuperar a economia capixaba e os postos de trabalho perdidos por causa da crise fiscal brasileira.
Qualquer atraso na tramitação do texto pode comprometer os planos dos empreendedores de aplicarem recursos em novos negócios. Por isso, a atual tempestade política preocupa o mercado, que observa atento os passos da medida no Congresso para decidir seus planos.
O ajuste das contas públicas manda sinais importante aos investidores que passam a ganhar confiança sobre o futuro da economia brasileira. A realidade atual é de que o país está /à beira do abismo fiscal e prestes a entrar em recessão, o que afasta a entrada de recursos para financiar obras, instalação de novos negócios.
Com a reforma, o Brasil mostra para o mercado que haverá diminuição dos gastos públicos com despesas obrigatórias, sobrando, assim, mais dinheiro para educação, saúde, segurança e infraestrutura.
O quadro perigoso no qual vivemos é consenso entre os analistas, que explicam a necessidade de se reformular o sistema de aposentadoria e pensões para passarmos ao mercado externo a imagem de que estamos preparados para novos investimentos de longo prazo sem o risco de entrarmos em moratória.
 
O maior volume de recursos está concentrado na indústria. Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo, Léo de Castro, os empresários estão apenas à espera do pacote de medidas. “Pelas simulações que fazemos, é factível falar nesse valor de R$ 10 bilhões. E vale destacar que, sem a reforma, podemos receber apenas de 30% a 40% dessa quantia”, explica Léo ao acrescentar que a nova Previdência é essencial para reverter o quadro de letargia econômica. “É impressionante. Para todo lugar que ando, vejo projetos engavetados esperando a reforma. Temos muito potencial, mas precisamos sair do potencial para o real”, afirmou.
Ele ainda citou projeções de como ficaria a economia nacional em cenários com a reforma previdenciária e sem ela. Entre os dados está uma previsão de queda do Produto Interno Bruto (PIB) do país para -1,8% em 2023 sem a reforma. Já no cenário com a reforma, o PIB, no mesmo ano, ficaria positivo em 3,3%. “São dados trabalhados pelo Ministério da Economia e mostram que brincar com a Previdência não é viável”, completou.
A Locares, que faz projetos customizados em contêineres, em Linhares, é uma das empresas que planeja aumentar os investimentos. “Estimamos um investimento de R$ 8 milhões, gerando 30 empregos. Para isso, a reforma da Previdência é imprescindível”, disse Pedro Paulo Sette Júnior, diretor da empresa.
Outro investimento que já foi anunciando e tem sido aguardado no Estado é a construção da fábrica de bio-óleo, em Aracruz. O investimento previsto é de R$ 500 milhões, e vai ser feito pela Suzano. Porém, o empreendimento ainda não estreou no planejamento da companhia para este ano e não tem prazo ainda para sair do papel.
O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Espírito Santo (Fecomércio), José Lino Sepulcri, também acredita que existam projetos parados no setor. Para ele, os investimentos podem variar em torno de R$ 50 milhões. “O comércio representa 65% do PIB capixaba e os empresários estão na expectativa da mudança. Acontece que eles só investem quando têm certeza”, avalia José Lino.
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-ES), Paulo Baraona, acredita que, caso a reforma seja aprovada, o número de unidades em construção pode passar de 11 mil para 15 mil por ano.
“É um incremento bastante significativo e vale destacar que a construção é o setor que mais movimenta a economia. Quando ela vai bem, tudo melhora junto”, destaca Baraona.
Assim como no Espírito Santo, investidores em outros Estados também aguardam o país voltar aos trilhos para fazer investimentos.
Para o pesquisador Marcel Balassiano, que atua na área de Economia Aplicada, a falta de investimentos pode fazer com que o Brasil tenha a pior década em 120 anos. “Para ter uma realidade diferente disso, o PIB brasileiro teria que crescer 5,7% tanto em 2019, quanto em 2020, o que parece bastante improvável”, avalia o pesquisador.

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