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Mercado financeiro

Bolsa sobe cerca de 1% e volta aos 98 mil pontos

O dólar se manteve estável em relação à véspera, no maior valor do ano, a R$ 4,1540

Publicado em 28 de Agosto de 2019 às 21:30

Publicado em 

28 ago 2019 às 21:30
Dólar fecha a R$4,15 nesta quarta-feira (28) Crédito: Arquivo | Agência Brasil
Acompanhando o exterior positivo, a Bolsa brasileira teve o segundo pregão de recuperação nesta quarta-feira (28). O índice subiu 0,94% e recuperou os 98 mil pontos, maior patamar desde o tombo da última sexta, com a piora da guerra comercial. O dólar se manteve estável em relação à véspera, no maior valor do ano, a R$ 4,1540.
Nos Estados Unidos, investidores aguardam atualizações sobre a guerra comercial entre Estados Unidos e China. A trégua levou a Bolsa de Nova York a se recuperar. O índice S&P 500 subiu 0,65%, Dow Jones, 1% e Nasdaq, 0,38%.
O rendimento do título do tesouro americano de 10 ano permaneceu estável, depois de atingir uma mínima de três anos neste mês. O spread entre este investimento de longo prazo e o título de três meses também continua no maior patamar desde 2007.
O dólar voltou a ganhar força internacional frente as demais moedas globais. O índice DXY, que mede este desempenho da moeda americana, teve alta de 0,26%.
O peso argentino teve mais uma sessão de desvalorização em relação a moeda americana, com o dólar cotado a 58 pesos.
No Brasil, após o rali que levou o dólar a bater R$ 4,1960 durante o pregão da véspera, a moeda se manteve estável, com leve baixa de 0,09%.
O dia foi marcado por mais intervenções do Banco Central, que vendeu US$ 25 milhões de dólares à vista, de um total de US$ 550 milhões ofertados.
Para evitar enxugamento de liquidez, o BC realizou posteriormente venda da diferença, US$ 525 milhões, na forma de swaps cambiais tradicionais, visando rolagem do vencimento outubro.
O BC ainda rolou todo o lote de US$ 1,5 bilhão em linhas de dólares com compromisso de recompra disponibilizado nesta sessão. A oferta, contudo, foi menor que o volume total a expirar no começo de setembro, cerca de US$ 3,8 bilhões.
Mais cedo, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, evitou comentar sobre câmbio ao ser questionado por jornalistas. Na véspera, a fala de Campos Neto de que a desvalorização do real estava dentro do padrão normal fez o dólar acelerar a alta e se aproximar de R$ 4,20, movimento que precipitou a atuação do BC via venda "pura" de dólar à vista -o que não ocorria desde 2009. "Achamos que a venda de dólar vai ajudar a desacelerar o ritmo de depreciação do real à medida que a moeda se aproxima de R$ 4,20, mas não será capaz de impedir que isso aconteça caso o ambiente externo continue desfavorável", disseram analistas do Citi em nota.
Para o Citi, o real pode ter desempenho melhor que pares latino-americanos, como peso colombiano e peso chileno, mas essa performance superior só seria sustentada caso o BC continue a intervir no mercado.
A desvalorização do real tem sido mais acentuada, segundo analistas, pelo fato de a moeda não contar mais com o "escudo" dos juros altos. Esse é um dos motivos pelos quais o banco suíço UBS elevou para R$ 4 reais a estimativa para o dólar ao fim deste ano, R$ 0,20 acima da projeção anterior.
Esta quarta-feira (28) também foi marcada como o segundo consecutivo de recuperação do petróleo. O barril de Brent subiu 1,6% nesta sessão e voltou ao patamar de US$ 60.
No Reino Unido, o cenário foi de tensão. Com o aumento da probabilidade de um Brexit sem acordo, a libra desvalorizou 0,5% em relação ao dólar, a US$ 1,22 por libra. O rendimento do título do tesouro britânico de 10 anos recuou 11,8% e foi para 0,44%.
O primeiro-ministro britânico pediu à rainha Elizabeth 2ª que suspenda as atividades do Parlamento por cinco semanas, a partir de 10 de setembro, retornando em 14 de outubro. A solicitação foi aprovada pela monarca nesta quarta. Este período de suspensão das atividades do Parlamento será o mais longo desde 1945.
A Bolsa de Londres, no entanto, teve leve alta de 0,35%. Segundo Victor Cândido, economista-chefe e sócio da Journey Capital, a perspectiva de resolução do Brexit, mesmo sem acordo, pode ser positiva para as empresas. "Os investidores estão felizes que essa incerteza vai acabar, o que leva a valorização de certas empresas, que estão vivendo sob uma neblina. O fim do Brexit, independente se em boa forma ou não, ajuda as companhias britânicas", afirma Cândido.
No Brasil, a Bolsa subiu 0,94%, a 98.193 pontos. O giro financeiro foi de R$ 13,882 bilhões, abaixo da média diária para o ano.
Nesta quinta-fiera (29), será divulgado o PIB (Produto Interno Bruto) do país no segundo trimestre de 2019. A estimativa de economistas, é de um crescimento de 0,2% em relação ao primeiro trimestre.
Também sob atenção do mercado, a reforma da Previdência deve ser votada na próxima quarta-feira (02) na CCJ (comissão de Constituição e Justiça) do Senado.

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