BRASÍLIA - O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), está "determinado" a colocar em discussão e votação a proposta de emenda à Constituição (PEC) que dá fim à escala 6x1. As declarações ocorreram após uma reunião com Alcolumbre na residência oficial da Presidência do Senado, nesta terça-feira (6).
"O Davi está muito determinado. Foi muito corajosa a posição dele. Vou comunicar ao presidente Lula que a discussão dele é colocar a matéria em votação. Em discussão e votação. Vamos votar a matéria antes do segundo turno", afirmou Guimarães a jornalistas.
De acordo com o ministro, o presidente do Senado vai "seguir religiosamente" o regimento. Na prática, o Senado deve realizar cinco sessões de discussão antes da votação. Três delas estão marcadas para esta semana, e duas devem ocorrer na semana que vem.
Alcolumbre poderia construir um acordo para pular esse período, já que há um requerimento de calendário especial para a PEC. No entanto, segundo Guimarães, Alcolumbre quer que "o Senado debata".
O ministro também provocou a oposição. "Eu quero ver a turma do Flávio Bolsonaro votar contra. Eu estou pagando para ver essa atitude", declarou Guimarães.
Também presente na reunião com Alcolumbre, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que há "tempo hábil" para discutir e realizar a votação e que a bancada governista vai trabalhar pela aprovação da matéria.
"A bancada de oposição, notadamente aqueles que são coordenados pelo senador Flávio Bolsonaro, já se manifestou na sua maioria contra o fim da jornada 6x1, ou seja, contra mais um dia de descanso para o trabalhador", declarou a parlamentar. "Mas terão a oportunidade de se manifestar. A bancada do governo está unida. Temos alguns senadores mais independentes que eu acredito que possam vir conosco."
O senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) disse nesta terça-feira que tem uma proposta “infinitamente melhor” do que a PEC que está em discussão no Senado. “Eu tenho uma proposta infinitamente melhor do que essa proposta que está na mesa, que é dar liberdade para o trabalhador escolher a sua própria carga horária”, disse Flávio em entrevista à imprensa em Brasília.
O senador detalhou, por exemplo, que existem mães que precisam cuidar dos filhos e, por isso, não podem trabalhar em uma jornada diária de oito horas.
“E eu vou resolver dois problemas de uma vez só em situações como essa. Não apenas eu vou garantir a creche para essa mãe, porque ela vai ter um voucher que garanta uma vaga na creche privada, caso ela não consiga a vaga na creche pública, e ela possa montar a sua jornada de trabalho diária. Por exemplo, trabalhar quatro horas por dia”, detalhou.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro reforçou que o cerne de sua proposta é dar liberdade aos empregados. “Quem quer trabalhar mais vai trabalhar mais. Quem quer trabalhar menos, quem não consegue trabalhar mais, vai ter o direito de priorizar outras coisas na sua vida”, disse.
O senador também chamou a atual proposta de oportunista e criticou o timing da votação, próximo das eleições. “O governo Lula, em quatro anos de governo, não faz. Agora, no meio do segundo turno, ele vem de uma forma oportunista querer fazer um movimento, achando que isso vai dar votos para ele”, declarou.
Ainda no campo das propostas, Flávio disse que pretende reduzir a carga tributária que incide hoje sobre folha de pagamento. “Eu vou fazer ‘tesouraço’ para reduzir impostos, reduzir burocracia.”