A decisão do Banco Central de manter os juros básicos em 6,5% ao ano certamente foi uma das mais difíceis dos últimos meses. Contrariou a maioria no mercado financeiro, que apostava em mais um corte de 0,25 ponto, para reanimar indicadores econômicos baixos.
Na última ata, o Copom sinalizou redução da Selic, mas não cumpriu para dar ênfase uma questão muito maior: a credibilidade da política monetária brasileira. No cenário atual de agitação do dólar, o congelamento do juro básico transmite a mensagem de que as circunstâncias ditam o tom das medidas, mesmo que não sejam simpáticas, para manter a moeda estável.
A rápida desvalorização do real frente ao dólar aponta aumento de risco de crise financeira. Todas as economias emergentes correm esse perigo. A elevação dos juros no EUA e em outros países desenvolvidos atrai muitos recursos. Baixar a Selic agora poderia estimular a saída de dólares do Brasil. Então, o BC preferiu não injetar mais volatilidade ao mercado.
A subida do dólar afeta muito mais o cidadão comum do que a manutenção da Selic em 6,5%. O câmbio mexe com os preços de combustíveis (que estão subindo quase diariamente) e de vários produtos, inclusive alimentos. A evolução precária do PIB e o desemprego têm evitado reajustes generalizados.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,22% em abril, uma aceleração em relação a 0,09% em março. Em 12 meses, acumula 2,76%, patamares tranquilos, bem abaixo da meta inflacionária, que permitiriam novo corte na taxa básica.
O caminhar da economia está amarrado por incertezas políticas, e uma pequena queda de juros pouco aumentaria o potencial de crescimento. O gargalo é a enorme desproporção entre a Selic e a remuneração cobrada pelos bancos no crédito às pessoas físicas e às empresas.