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Dario Coelho
"Quis dizer na avenida que Deus não exclui ninguém. Nem os LGBTs"
Destaque no desfile da Piedade representando o papa Francisco diz que não temeu chocar o público mostrando a bandeira LGBT, elogia o líder católico, mas critica o tratamento dispensado pela Igreja aos homossexuais

Leonel Ximenes

Colunista

Publicado em 17 de Fevereiro de 2020 às 18:00

Publicado em

17 fev 2020 às 18:00
Sábado à noite, Piedade na avenida, primeira escola a desfilar no Grupo Especial. O Sambão do Povo ainda não estava completamente "aquecido" quando um cena causou grande surpresa: o destaque da escola do Centro de Vitória que representava o papa Francisco sacou a bandeira do Movimento LGBT e passou a exibi-la ao público em intervalos de cerca de cinco minutos até a conclusão da apresentação da escola. A performance deste profissional formado em Serviço Social, de 43 anos, era um segredo de Estado tão bem guardado que nem o carnavalesco da Piedade, Paulo Balbino, sabia o que iria ocorrer na avenida. "Só contei para o diretor de Carnaval, Pedro Sacramento", conta Dario Coelho, homossexual e militante do Movimento LGBT, e que já foi gerente de Direitos Humanos na Prefeitura de Vitória. 

Por que e quando você decidiu exibir a bandeira do Movimento LGBT no desfile da Piedade?

Sou militante e ativista dos Direitos Humanos, sou Gay. Diante disso, achei a oportunidade esperada de dizer para as pessoas que acham que Deus exclui nós LGBTs, para que entendessem que Deus não faz acepção de pessoas. E diante do discurso do papa Francisco de que a Igreja deve acolher e não julgar, achei que seria uma ótima oportunidade de dar visibilidade para as pautas LGBTs.

Com esse gesto, você não temeu chocar algumas pessoas, principalmente as mais religiosas, haja vista que representava o papa Francisco na avenida?

Não. O papa já é tido como polêmico, pois ele tem esse discurso de acolher a população LGBT e um discurso que afronta os dogmas da Igreja. Um verdadeiro exemplo de cristão.

Como foi a repercussão da sua atitude?

Desde o desfile tenho recebido vários elogios de todas as partes do Brasil, é um alívio saber que ainda há esperança de vivermos num mundo onde a vida privada das pessoas não desperte o ódio e que o amor vencerá.

Paulo Balbino, o carnavalesco da Piedade, não sabia que você iria exibir a bandeira LGBT no desfile. Ele aprovou sua iniciativa?

Até o dia do desfile eu não havia conversado com ele sobre isso, havia conversado somente com o diretor de Carnaval, Pedro Sacramento. Mas tenho certeza de que ele aprovou, pois ele é um ser humano incrível.

O fato de o governo Bolsonaro ter atitudes contrárias à comunidade LGBT estimulou você a exibir a bandeira LGBT no Sambão?

Com certeza. Vivemos em tempos sombrios, tempos de terríveis ataques e retrocessos referente às pautas de Direitos Humanos, dentre elas as pautas LGBTs. Temos um  governo que associa a sexualidade das pessoas ao desvio de caráter e conduta, governo que não teme ter posicionamentos LGBTfóbicos em rede nacional.

No ano passado, o papa declarou que as pessoas que rejeitam gays "não têm coração". Francisco mudou a visão dos homossexuais sobre a Igreja Católica?

Na verdade, conheço várias pessoas católicas que são LGBTs, mas toda a população de LGBTs tem tido orgulho dos posicionamentos do papa Francisco. Não só em relação à pauta LGBT, mas também de outras pautas progressistas e defesa das minorias, tais como povos indígenas, sem-terra, defesa da terra e da Amazônia, contra o feminicídio, pelo respeito entre as religiões. Sem dúvidas, ele é um líder religioso que veio promover a paz.

Em linhas gerais, como as diversas Igrejas tratam os homossexuais? Vocês se sentem acolhidos ou discriminados?

Cresci numa família onde ouvia que gay iria queimar no inferno, que homossexualidade é coisa do diabo, entre outras barbaridades. Esse é o discurso da Igreja, um discurso de disseminação do ódio para com a população LGBT. O mais contraditório é que a mesma Igreja que condena o aborto legal fomenta o ódio. Isso faz com que o Brasil seja campeão em crimes relacionados à LGBTfobia. Por exemplo, uma pessoa transexual no Brasil tem perspectiva de vida de apenas 35 anos. Isso porque a exclusão e invisibilidade começam na família e continuam durante a vida, diante das políticas públicas, devido à pressão das religiões sobre o poder público. A realidade é que deveríamos viver num Estado laico, mas infelizmente estamos num regime teocrático.

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