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Crônica

Deus concede habeas corpus para nossos pecados até a Quarta de Cinzas

"Esqueça Gilmar, pois a folia começa neste sábado!" O cronista Marcos Alencar aproveita os dias de folia para relembrar alguma de suas peripécias de outros carnavais

Publicado em 07 de Fevereiro de 2018 às 15:03

Públicado em 

07 fev 2018 às 15:03

Colunista

Marcos Alencar é cronista, escreve quinzenalmente no Pensar 
Pra inicio de conversa, uma confissão: não sei sambar. Logo eu que adoro carnaval. Não falo em mexer as cadeiras, os ombros, os braços. Isso é mole. Falo de samba no pé. Quesito em que sou “zero, nota zero!” E olha que não foi por falta de empenho. Cansei de prestar atenção e trançar os pés. Mas não deu em nada. Eu não sou ruim da cabeça, mas sou aquele tal doente do pé.
Essa deficiência, no entanto, nunca me impediu de arrastar as sandálias pela Jerônimo Monteiro, do Parque Moscoso até o Britz Bar, com pit stop pra procurar um canto pra fazer xixi.
Não brinco mais carnaval por conta de uma aposentadoria compulsória da avenida. Chegou a hora – como dizia minha mãe – de sossegar o facho.
Mas tenho boas lembranças, não só dos blocos de rua, como também de uma única e memorável participação num desfile de escolas de samba. Lembrei-me disso ao ler que a Mocidade da Praia estava voltando a desfilar. Foi pra ela que Milson Henriques me arrastou. Eu resistia, mas ele tanto azucrinou meus ouvidos que acabei topando. Pedi então a ele que escolhesse uma fantasia com pouco pano, por causa do calor. E lá foi ele nos inscrever na escola e comprar as fantasias. Na volta fiquei sabendo que iríamos sair na Ala dos Africanos! Meio apalermado indaguei se fazia algum sentido a nossa pouca identidade com os propósitos do enredo da Mocidade da Praia. Ele disse pra eu não esquentar a cabeça e me entregou o enxoval de momo: uma lança e um pano com uma estamparia de onça para ser jogada por cima do ombro. E de resto, pé no chão. E assim lá fomos nós. E deu no que deu: dos trinta foliões da bonita ala, éramos os dois únicos de pele clara. Mas não fizemos feio. Recebemos até elogios. Não me lembro de quem, mas provavelmente de alguém que não manjava muito de carnaval.
Nos desfiles da Unidas de Carapeba, prêmio de melhor bloco de rua da Secretaria de Turismo da PMV (Evoé, Marien!) tudo podia acontecer. E acontecia.
Certa vez o bloco inventou de entrar na matinê do Clube Vitória. O “aristocrático do Parque Moscoso”. Aquele bando de homens sem modos, vestidos de mulher, invadiu o salão lotado de crianças e suas mamães, ao som de “Olha a Cabeleira do Zezé”.
Fizemos um alvoroço maior do que da garotada. Eu de vestido preto, presente de Maria Nilce, chapéu vermelho e um boá cansados de guerra. Eis que uma socialite, peça irremovível das colunas sociais da época, metidinha até dizer chega, pegou-me pelo braço e, rindo muito, perguntou de quem eu estava fantasiado. Peguei pesado: “Não é fantasia não. Eu sou você!” Pintou um clima negativo. Muito negativo.
Também, quem mandou dar trela pra folião embriagado?
A folia começa neste sábado. Esqueça o Gilmar. Deus, ele próprio, é quem concede habeas corpus para os nossos pecados até quarta de manhã. Assanhe-se.

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