Hoje, o Brasil conta com 48 milhões de empresários. Ao contrário do que se diz em salas de aula e palanques, sete em cada dez recebem, no máximo, três salários mínimos por mês. Rasguemos os panfletos: as micro e pequenas empresas geram 52% dos empregos com carteira assinada, pagam 40% de todos os salários e sustentam 27% do PIB.
O Brasil é movido por essa gente simples, empreendedora, que se arriscou e começou do nada. Apenas 3% das empresas nacionais são fruto de herança com mais de duas gerações. Surpresos? Não deveriam. O historiador Jorge Caldeira, em “História da Riqueza no Brasil” (2017), expõe o que nos omitiram na escola: nossa economia, sempre, foi impulsionada por pequenos empreendedores.
A História de nossos professores de esquerda relegou esses empreendedores ao esquecimento e focou em governos e presidentes trágicos
Aprendemos nosso passado com latifúndios e escravos. Os capítulos 12 e 13 do livro apresentam o censo populacional de 1819 e constrangem essa mitológica “pirâmide social”: 74,8% dos habitantes do Brasil eram livres! Dentre os escravos, a média era de cinco trabalhadores por propriedade. Que distância das senzalas abarrotadas dos livros marxistas de História!
Você já foi à Bahia? Ensinada como polo exportador, teve, entre 1685 e 1725, 285 transferências de propriedade rural registradas no governo. Destas, 204 eram terras entre 100 e 600 hectares. Enquanto o Estado contava com 110 engenhos de açúcar, cerca de 2 mil autônomos plantavam cana por conta própria; outros 2 mil atuavam com transporte privado de barcos. Hoje, o minifúndio responde por 74% de nosso PIB agrícola!
No entanto, a História de nossos professores de esquerda relegou esses empreendedores ao esquecimento e focou em governos e presidentes trágicos. Caldeira demonstra, com dados, que os momentos de maior fracasso do Brasil foram aqueles em que o Estado cerceou a propriedade privada e extorquiu a população com elevados impostos para bancar seu poder, e mais cresceu quando os pequenos negócios agiram no livre mercado, sem depender do governo.
Os fatos fazem justiça ao empreendedor, quem realmente move o Brasil. E desde a Colônia. O que isso mostra? Que o ódio ao empresariado brasileiro foi incutido por quem nunca contratou e, pelo visto, têm dificuldades em estudar (e ensinar) a nossa História.
*O autor é graduado em História e Filosofia, e pós-graduado em Sociologia