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Economia

Desenvolvimento refém dos impostos

Como pode a economia de um Estado estar atrelada a litros de combustíveis para a aviação? Como incentivar o desenvolvimento econômico do Espírito Santo?

Publicado em 16 de Abril de 2018 às 16:37

Públicado em 

16 abr 2018 às 16:37

Colunista

Fachada do novo Aeroporto de Vitória Crédito: Caíque Verli

Foi publicado um estudo encomendado pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) sobre o desenvolvimento da região da Grande Vitória, que poderá ter a criação de 57 mil vagas de emprego após a inauguração do novo terminal do Aeroporto Eurico de Aguiar Salles, em Vitória.

Os fatores citados pelo estudo para um cenário positivo na região são: ampliação de linhas aéreas em Vitória; maior capacidade para receber passageiros – passará de 3,3 milhões para 9,4 milhões por ano; e, principalmente, a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que incide sobre os combustíveis de avião.

Apesar de ser otimista, o estudo não revela que os combustíveis para aviões cobrados no Aeroporto de Vitória são os mais caros do mundo. O Estado cobra 25% de ICMS sobre os combustíveis consumidos, mas os operadores do aeroporto pediram uma redução do ICMS para 12%, com benefícios como novos voos e mais empregos em toda a cadeia produtiva da aviação e turismo.

O secretário de Estado da Fazenda, Bruno Funchal, diante do pleito de redução do ICMS sobre combustíveis de aviação, soltou pérolas econômicas: “Nosso aeroporto era um gargalo. Como trazer mais voos e mais abastecimento com um aeroporto com a capacidade no seu limite? Com a expansão, o impacto de uma revisão tributária acaba sendo muito maior”.

Como pode a economia de um Estado estar atrelada a litros de combustíveis para a aviação, embora as estatísticas comprovem que são os preços mais elevados do mundo?

Como incentivar o desenvolvimento econômico do Espírito Santo? Quem está pensando em desenvolvimento? Promover o emprego público não gera o desenvolvimento. Ao contrário, provoca desequilíbrio, provoca o aumento de impostos, a sociedade fica sem maiores perspectivas e não atraímos investidores.

A verdade é que o Aeroporto de Vitória, após 16 anos de espera, ainda terá obras por um bom tempo. Quero ver quando chegarão os 57 mil empregos! Talvez no lastro dos R$ 357 milhões cobrados a mais sobre a obra que não acabou.

*O autor é jornalista

 

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