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Economia

Depois do aço, café vira alvo de inquietação

Aço e café, produtos importantes nas exportações capixabas, são alvos do neonacionalismo protecionista de Trump, inquietando mercados

Publicado em 16 de Abril de 2018 às 22:46

Públicado em 

16 abr 2018 às 22:46
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos Angelo Passos
Crédito: Amarildo

Um mês após bombardear o setor siderúrgico com sobretaxa (podendo ser revertida em cota), Trump lança outro míssil no comércio mundial. Agora, o alvo é o café. Os dois casos inquietam a economia do Espírito Santo, pela importância desses produtos na pauta local de exportação.

Os EUA notificaram à Organização Internacional de Café (OIC) que no próximo dia 3 de junho se desligarão oficialmente do Acordo Internacional do Café, assinado em 2007. Não querem mais saber do tratado entre países produtores e consumidores, visando a fortalecer a cafeicultura mundial e promover sua expansão sustentável.

Trump mostra claramente duas intenções: rever relações comerciais envolvendo produtos estratégicos e reduzir ao mínimo a participação americana em organismos multilaterais. São etapas do neonacionalismo contundente celebrado com o slogan “América em primeiro lugar”. No caso do café, nem experientes analistas conseguem decifrar, neste momento, o que os EUA pretendem. Talvez, o considerem o acordo injusto, e estejam tentando desgastá-lo.

Não é primeira inquietação americana desse tipo. Há exatos 50 anos, Brasil e EUA se engalfinharam na chamada guerra do solúvel. Em 1968, o país de Lyndon Johnson (de conhecida personalidade autoritária) bateu de frente com o de Costa e Silva ao anunciar taxação do café solúvel brasileiro na mesma medida do café verde. O impasse estendeu-se aos primeiros meses de 1969, já na era Nixon, e chegou a travar o diálogo entre nações para renovar o Acordo Internacional do Café (AIC).

Os EUA são o maior importador da produção cafeeira mundial. Em 2017, foi o país que mais recebeu esse grão exportado pelo Brasil: 6,1 milhões de sacas, 20% do total embarcado, segundo o Cecafé. São também o principal destino das saídas pelo litoral capixaba: mais de 20 mil sacas em três meses neste ano.

A palavra café vem do termo turco kahue, que significa força. Não adianta Trump querer lutar contra ela. Vai perder. É um mercado de 25 milhões produtores, maioritariamente minifundistas, com renda direta ou indireta para mais de 125 milhões de pessoas, dentre elas, cerca de 400 mil no Espírito Santo.

*O autor é jornalista

 

Angelo Passos

Angelo Passos Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

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