Ao desistir de lançar candidatura ao governo do Estado no lugar de Paulo Hartung (MDB), na última sexta-feira (24), o vice-governador César Colnago (PSDB) afirmou à coluna: todos os seus movimentos e os do senador Ricardo Ferraço, também do PSDB, estavam sendo feitos de maneira conjunta e combinada.
Os fatos ocorridos ao longo desta terça-feira (24) derrubam completamente essa versão. Pela manhã, Ferraço anunciava publicamente o seu apoio pessoal à candidatura de Renato Casagrande (PSB) ao governo. Falando como porta-voz do PSDB e autorizado a conduzir as alianças eleitorais da sigla, Ferraço anunciou ainda o apoio dos tucanos a Casagrande. Tudo foi feito ao lado do próprio ex-governador, na sede do PSB, em Jucutuquara.
No mesmo momento, os dois principais dirigentes do PSDB no Espírito Santo se reuniam a cerca de quatro quilômetros dali, no Palácio Anchieta, com o governador Paulo Hartung: o próprio Colnago, presidente estadual da legenda, e Vandinho Leite, o secretário-geral. Articulavam a possível retomada da candidatura de Hartung ao governo, contando, logicamente, com o apoio total do PSDB.
Quem é que fala pelo partido, afinal?
Claramente, enquanto Ferraço procura puxar o PSDB para o palanque de Casagrande, Colnago trabalha nos bastidores para levá-lo de volta para o palanque de Hartung.
O PSDB, portanto, tem uma decisão crucial a tomar. E é dessa decisão dos tucanos que deve sair a resolução final de Hartung: topa ou não topa voltar atrás e disputar mais um mandato?

ALCKMIN
Colnago e Ferraço podem chegar a um denominador comum já nesta quarta-feira (25). Os dois terão conversa decisiva, em Brasília, com o ex-governador Geraldo Alckmin, presidente nacional do PSDB e pré-candidato à Presidência.
Nesta terça-feira, Alckmin conversou por telefone com Colnago e com Hartung. Segundo um tucano, ele manifestou satisfação ante a possibilidade de lançamento da candidatura do governador à reeleição.