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Comédia

Crítica: "Modo Avião", da Netflix, vale pelo carisma de Larissa Manoela

Filme sobre uma jovem que precisa se desintoxicar de smartphone brinca com metalinguagem sem se aprofundar em seu tema principal

Publicado em 23 de Janeiro de 2020 às 05:00

Públicado em 

23 jan 2020 às 05:00
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

Larissa Manoela e André Frambach em "Modo Avião" Crédito: Netflix
Uma das missões mais difíceis para um crítico de cinema é escrever sobre um filme totalmente voltado para um público muito específico. É complicado porque tal público provavelmente consumirá a obra sem se importar se é boa ou não; é um produto feito para eles. E se o público-alvo gosta da obra, quem é um crítico para dizer se ela é boa ou não?
“Modo Avião”, lançado quinta-feira (23) pela Netflix, marca a estreia da estrela Larissa Manoela no serviço de streaming e se encaixa perfeitamente na missão do primeiro parágrafo. O filme de César Rodrigues (“Minha Mãe é Uma Peça 2”) é uma comédia adolescente 100% voltada para os mais de 28 milhões de seguidores que a atriz tem no Instagram.
A trama acompanha Ana (Larissa), uma jovem influencer que registra todos os passos de sua vida nas redes sociais. Sua popularidade lhe rendeu um contrato com uma marca famosa, mas também a tornou uma refém do smartphone, que ela não larga nem para dirigir - uma mistura que obviamente não daria certo.
Após sofrer um acidente grave, Ana é obrigada a ir para a casa do avô Germano (Erasmo Carlos) no interior e a ficar desconectada do mundo durante esse tempo. Lá, ela terá que aprender a dar valor às coisas simples da vida e desapegar de praticamente tudo o que a movia antes do acidente.
O roteiro, simples, é baseado em um texto do mexicano Alberto Bremmer. A adaptação de Renato Fagundes e Alice Name-Bomtempo conversa bem com seu público, acostumado à linguagem adotada pelo filme. Para dar um ar mais “moderno” a uma história tão básica, César Rodrigues faz uso de grafismos interessantes como, por exemplo, mostrar o que as pessoas estão postando enquanto Ana entra no ambiente - à medida que as telas e as mensagens vão surgindo, tem-se uma ideia da popularidade da jovem. As postagens e as telas dos smartphones são algo com que o espectador vai se identificar.
Elenco do filme "Modo Avião" Crédito: Netflix
“Modo Avião” tem algumas sacadas legais e até sutis, mas acaba abrindo mão dessa característica para embarcar em uma jornada previsível. Ana, na maior parte do tempo, não parece estar mudando, apenas se conformando com a situação em que se encontra. Além disso, o texto apresenta situações repentinas apenas para que sirvam a seu favor, mas as abandona quando cumprem seu papel (a corrida, por exemplo).
Além disso, todo o terceiro ato parece apressado, com soluções fáceis e imediatas - mas talvez seja assim que funcione para esse público. Curiosamente, o filme pouco reflete sobre seu tema principal - a exposição excessiva, as novas tecnologias, as falsas aparências ou a obsessão pelas curtidas não são debatidos em momento algum, apenas não dirija e mande mensagem.
Ao final, “Modo Avião” entrega uma comédia romântica adolescente totalmente voltada para os fãs de Larissa Manoela, e não há demérito algum nisso. O filme entende seu público e explora o carisma e a popularidade de sua protagonista, uma jovem que cresceu aos olhos dos fãs e agora leva isso para as telas como forma de piada metalinguística.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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