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Carlos Alberto Di Franco

Crise na fronteira é uma bomba prestes a explodir

Cresce o número de venezuelanos aliciados pelo tráfico e redes de prostituição. Está instalado o caos social, uma bomba relógio pronta para explodir

Publicado em 25 de Agosto de 2018 às 18:23

Públicado em 

25 ago 2018 às 18:23
Carlos Alberto Di Franco

Colunista

Carlos Alberto Di Franco

Crise migratória leva milhares de venezuelanos a deixarem o país Crédito: AFP PHOTO/GEORGE CASTELLANOS
A tensão entre a população das cidades de Roraima e os refugiados venezuelanos – que resultou em graves e recentes confrontos, quando eles foram atacados por uma multidão em Pacaraima, na fronteira com o país vizinho, depois que um comerciante brasileiro foi assaltado e espancado por alguns deles – não deixa dúvida sobre a necessidade dos governos federal e daquele Estado abandonarem discursos de ocasião e tomarem medidas urgentes para dar solução à grave situação.
Segundo dados do Exército, o número de refugiados que cruzam a fronteira de Pacaraima, no extremo Norte do país, subiu de 500 para 800, ou seja, todos os dias 800 venezuelanos ingressam no território brasileiro. Ainda assim, esse número não representa a realidade já que existem muitas rotas clandestinas na região que são usadas pelos contrabandistas de armas e drogas.
Segundo informações do Grupo Rede Amazônica, cresce o número de venezuelanos aliciados pelo tráfico de drogas e pelas redes de prostituição. A situação é gravíssima. Está instalado o caos social, uma bomba relógio pronta para explodir a qualquer momento.
A sociedade está exaurida. A incompetência e a impunidade são o estopim da radicalização. Os problemas de segurança pública, mobilidade urbana, carências nas áreas da saúde e da educação passaram da conta
Não se pode esperar muito de Roraima, sabidamente com recursos limitados para enfrentar uma crise como a criada pela presença de número tão elevado de refugiados. Investir mais do que tem feito, e sem demora, na distribuição dos refugiados é, portanto, a melhor maneira – além de prestar assistência humanitária - de o governo federal ajudar e assumir as responsabilidades que tem nessa questão.
O governo federal tem sido reativo e assistimos, mais uma vez, aos dramáticos efeitos da governança espasmódica. As medidas, sempre tardias, chegam na vigésima quinta hora.
A lentidão dos governos em assumir suas responsabilidades reforça um cenário preocupante e ameaçador: o desencanto com a política e o aparecimento de alternativas aventureiras e emocionais. As pessoas estão nauseadas, enfadadas, não sei o termo, estão enojadas. A decepção com a política é completa. Se o o voto fosse facultativo, quase 60% não votaria nesta eleição.
Uma poderosa luz vermelha está acesa. A sociedade está exaurida. A incompetência e a impunidade são o estopim da radicalização. Os problemas de segurança pública, mobilidade urbana, carências nas áreas da saúde e da educação passaram da conta. Pronunciamentos na televisão e transferência de responsabilidade não funcionam mais. O povo cansou-se. A a exaustão pode despertar forças incontroláveis.
É preciso dar uma resposta efetiva aos legítimos apelos da sociedade e não um discurso marqueteiro. A crise que está aí é brava. O isolamento mental de Maria Antonieta, em 1789, acabou na queda da Bastilha. A história é boa conselheira. Os políticos precisam sair um pouquinho da Ilha da Fantasia e sentir a temperatura do Brasil real. Os brasileiros merecem respeito.
 

Carlos Alberto Di Franco

É jornalista e bacharel em Direito. Especialista em Jornalismo Brasileiro e Comparado. Doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra. Neste espaço, jornalismo e sociedade têm destaque

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