Burocrático e restrito, o mercado russo está cada vez mais abrindo suas portas para o café brasileiro. A cooperativa capixaba Coopeavi está negociando com a Rússia e vai ampliar no próximo ano a venda dos grãos para o país.
O interesse dos russos é pelo café arábica verde que é produzido em Minas Gerais. Atualmente, a Coopeavi exporta seis contêineres do produto. Para 2020, a perspectiva é mais do que dobrar esse volume, enviando de 15 a 20 contêineres.
Embora, por enquanto, os grãos produzidos no Espírito Santo não façam parte das negociações, o analista de mercado de café da cooperativa, Jozielton Freire, afirma que o objetivo é passar a vender também o café do Estado.
"Acredito que o que mais vai ter chance é o café robusta (conilon), produzido principalmente na região Norte e Noroeste do Espírito Santo. Já até chegamos a vender um contêiner misto para ser testado. Se o café tiver uma boa entrada, temos grandes chances de colocar o Espírito Santo como parte deste mercado"
Freire lembra que o primeiro contato com a Rússia foi em 2012, mas que recentemente é que as relações se intensificaram. O analista reconhece que a venda para a Rússia não é simples, afinal, as exigências documentais na alfândega são gigantescas e, qualquer ponto fora do padrão, pode render altas multas e penalidades.
“Eles são muito rígidos com seus importadores. A aduana russa confere cada detalhe, chega a analisar pontos e vírgulas”, afirmou ao observar que os cafés verdes (grãos crus) são embalados em sacas de 60 quilos e que cada contêiner comporta 320 sacas, totalizando 19,2 toneladas.
A expansão do café produzido pela Coopeavi para a Rússia, ainda que por enquanto não seja por meio de produtores do Estado, mostra a qualidade do produto e a força da cooperativa capixaba. Chegar e negociar com países que têm tantas restrições pode ser uma saga e levar tempo, mas uma vez que mercados com esse perfil são conquistados, os ganhos são muito grandes e contribuem para que localmente a associação trabalhe firme e continuamente pelos bons resultados do produto e pela eficiência operacional. Ganham os produtores, a cooperativa e o Estado, que passa a ser referência mundo afora.
LOGÍSTICA
Atualmente, os contêineres enviados para a Rússia são carregados no Armazém da Coopeavi em Caratinga (MG), e o embarque é pelo porto do Rio de Janeiro. De acordo com Jozielton Freire, mesmo se o Espírito Santo conquistar os clientes russos, a logística terá de ser feita por outros portos, já que nossos terminais não recebem navios de grande porte e não têm rotas diretas. Um problema antigo enfrentado pelo segmento cafeeiro e tantos outros do Estado.
“O tempo de viagem por Vitória é bem mais longo porque os navios que chegam aos portos do Estado fazem transbordo em Santos ou no Rio. Assim, a logística pelo Rio é mais eficiente. Existem mais navios e armadores. Além disso, tem a questão do custo. Esperamos que no médio prazo, a instalação de novos portos no Espírito Santo possa suprir a carência logística que temos.”
A COOPERATIVA
A Coopeavi tem aproximadamente 15 mil cooperados, sendo de 60% a 70% deles formados por cafeicultores, mesmo que tenham outras atividades. Eles são responsáveis pela produção de 300 mil sacas de café por ano.
De tudo o que é produzido, 90% fica no mercado interno. Os demais 10% são exportados para países como Itália, Estados Unidos, Austrália, Espanha, Turquia, Rússia, Líbia , Jordânia, Israel, Egito e Cuba.