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Luciney Araújo
Novo fôlego

Construtoras no ES se recuperam da pior crise da história

Número de unidades caiu de 35 mil para 11 mil, empresas precisaram demitir e frearam o lançamento de novos empreendimentos

Giordany Bozzato

Publicado em 14 de Dezembro de 2019 às 17:21

Publicado em

14 dez 2019 às 17:21
Vista aérea de prédios na Praia de Santa Helena, em Vitória Crédito: Luciney Araújo
No período em que o setor imobiliário estava surfando em seu melhor momento, entre os anos de 2010 e 2013, mais de 35 mil unidades chegaram a estar em construção no Espírito Santo. Com a crise, esse número caiu para cerca de 11 mil, no ano passado, se estabilizou em 2019 e deve voltar a crescer em 2020.
Durante esses anos de queda, grandes projetos foram engavetados, obras passaram a ser tocadas em ritmo mais lento e empresas chegaram a deixar de investir no Estado depois de concluírem seus projetos.
“Já em 2014 a gente sentiu o mercado de alto padrão desaquecer. A velocidade das vendas foi reduzindo, negócios começaram a ser revistos e as incorporadoras começaram a pisar no freio. Pouco depois, a gente começou a caminhar para trás”, lembra o empresário Sandro Carlesso, presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES).
Uma das empresas que sentiu a retração do mercado foi a Galwan. “Em 2015 e 2016 a gente passou pela pior situação. Tivemos que pegar pessoas que trabalhavam na empresa há 10 anos e demitir. Desligamos gente do escritório, das obras. Construções que estavam previstas para serem iniciadas não puderam ter início… Foi um período muito triste”, recorda o diretor-presidente da construtora, José Luis Galveas.
A companhia vive um novo momento. “De dois anos para cá, a gente já vem tendo uma situação inversa, que é o prazer de precisar contratar e conseguir empregar as pessoas”, acrescenta Galveas, lembrando que a empresa está com lançamentos previstos para 2020 em Vitória e Vila Velha.

MERCADO ESTÁ REPRIMIDO

Parte da expectativa positiva sentida pelos representantes do setor imobiliário se dá por conta de algo citado como “demanda reprimida”. Isso acontece porque nos últimos anos as vendas caíram, mas a população continuou precisando de imóveis.
“A demanda continuava existindo, mas ela era reprimida. As pessoas continuaram casando, continuaram se separando, a migração para o Espírito Santo seguiu o mesmo ritmo. Só que essas pessoas, em vez de comprarem um imóvel, alugavam um local para morar, passavam um tempo com os pais, enfim, davam um ‘jeitinho’. Agora, a gente espera que elas voltem para o mercado”, explicou Gustavo Rezende, diretor comercial da Grand Construtora. “Para 2020, espera-se um crescimento sustentável. A seta começou a apontar para cima e esperamos que permaneça assim”, acrescentou Rezende.
Quem também tem boas expectativas com relação ao mercado é o arquiteto Gregório Repsold. Ele destaca que o ramo da arquitetura é um dos primeiros a ser prejudicado com a queda do mercado, mas também, um dos primeiros a se reerguer.
“Quando acontece uma crise, as empresas, as pessoas no geral, param de fazer projetos. Com isso, a arquitetura é uma das primeiras a sentir o impacto. Mas o que estamos vendo agora não é somente uma retomada do mercado imobiliário, mas o da construção civil como um todo, com reformas acontecendo, com lojas de materiais de construção reabrindo e com clientes comprando”, destaca.

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