Nesta edição do Espírito Santo: Que História É Essa?, o comentarista Rafael Simões traz como destaque a cidade de Vitória, aniversariante que completa 474 nesta segunda-feira (08). Ouça a conversa completa!
CBN - QUE HISTÓRIA É ESSA - 08-09-25
Vitória
Gentílico: Vitoriense ou Capixaba
Gentílico: Vitoriense ou Capixaba
- No século XVI, quando os primeiros exploradores portugueses chegaram à região da atual Vitória, ela era disputada por três grupos indígenas diferentes: os goitacás (procedentes do sul), os aimorés (procedentes do interior) e os tupiniquins (procedentes do norte). O donatário português da capitania, Vasco Fernandes Coutinho, fundou, em 1535, a atual cidade de Vila Velha, cujo nome na época era Vila do Espírito Santo, que passou a ser a capital da capitania.
- Devido aos constantes ataques indígenas, franceses e holandeses à cidade fundada por Coutinho, os portugueses decidiram transferir a capital da capitania para a Ilha de Santo Antônio, na Baía de Vitória. A ilha era chamada pelos índios de Ilha de Guanaani. Em 8 de setembro de 1551, após uma vitória portuguesa contra os goitacás e aimorés, a cidade foi renomeada como Vila da Vitória, nome posteriormente alterado para Vitória em 17 de março de 1823.
- Até o século XIX, os limites da capital capixaba eram o atual Forte de São João, próximo ao Centro da cidade, e o morro onde funciona o atual hospital da Santa Casa de Misericórdia, no bairro Vila Rubim. A cidade foi sendo construída nas partes altas, o que deu origem a diversas ruas estreitas. A parte de baixo foi sujeita a ataques e, devido a isso, foram construídos vários fortes na beira do mar.
- .Em 24 de fevereiro de 1823 (17 de março de 1829), a vila de Vitória foi elevada a cidade, mas seu isolamento insular evitava seu desenvolvimento. A partir do ano de 1894, com o ciclo do café, iniciaram-se, na ilha, diversos aterros nas partes baixas da cidade, alterando a forma da ilha e modernizando-a. Foram construídos, após disso, diversos bairros e escadarias e foram derrubados casarões. Além disso, foi melhorado o saneamento.
- Em 1941, surgiu o primeiro cais na capital e, em 1927, a ponte que ligou a ilha ao continente. O porto se desenvolveu. Em 1949, foram feitos mais aterros e foram construídas amplas avenidas. Depois dessas várias mudanças, a cidade tornou-se o maior centro do Espírito Santo. Em 1970, o Porto de Vitória se tornou um dos mais importantes do país, e a capital começou a se industrializar. A modernização da ilha gerou o desaparecimento de quase todos os vestígios da Colônia e do Império na ilha.
Informações sobre a Microrregião 1 – Metropolitana
- A microrregião Metropolitana é composta pelos sete municípios da Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV), a saber: Vitória (322.869), Serra (520.649), Vila Velha (467.722), Viana (73.423), Cariacica (353.510), Guarapari (124.656) e Fundão (18.014). A microrregião ocupa 5,05% do território estadual e apresenta uma população estimada em 1.880.843 habitantes (IBGE, 2022), o que representa cerca de 49% da população total do estado. A densidade demográfica da Metropolitana é cerca de 838 hab/km², portanto, uma densidade extremamente alta, se comparada com a do estado do Espírito Santo, que é de 86,19 hab/km². O município de Vitória, capital do estado, exerce forte centralidade na oferta de comércio e serviços, com respectiva integração às atividades econômicas e portuárias, impactando fortemente a mobilidade urbana na região. O município da Serra destaca-se na geração de emprego decorrente da concentração da atividade industrial, com destaque para a produção de minério de ferro e outros produtos. O PIB da microrregião Metropolitana corresponde a 57,69% do PIB estadual.
- Quanto à composição do PIB por setores, destaca-se a atividade de serviços, com 62%, seguido pela receita dos impostos líquidos de subsídios sobre produtos, com 20%, e a indústria, com 18%. A atividade de agropecuária não contribui na composição do PIB. O PIB per capita da microrregião é de R$ 32.554,24, superior a do estado do Espírito Santo, que é de R$ 27.487,45. No contexto dos municípios, destaca-se o município de Vitória, com maior PIB per capita da região, com R$ 60.427,74, seguido pelos municípios de Serra (R$ 37.088,81) e Viana (R$ 27.509,98). O menor PIB per capita da microrregião é o do município de Guarapari, com R$ 17.098,94.
- A receita líquida da microrregião Metropolitana é de R$ 2.149,27, que se aproxima da receita do estado do Espírito Santo (R$ 2.524,19). O município de Vitória além de apresentar o maior PIB relativo da microrregião, possui também a maior receita líquida per capita, com R$ 3.721,21, seguido pelo município de Fundão (R$ 2.718,41) e Viana (R$ 2.223,94). O município de Cariacica apresenta a menor receita líquida per capita da microrregião, com R$ 1,388,68.
- O Índice Firjan de Emprego e Renda apresenta para a maior parte dos municípios da microrregião Metropolitana índices considerados de regular desenvolvimento (de 0,4 a 0,6), com exceção dos municípios de Serra e Vitória, ambos classificados de moderado desenvolvimento (de 0,6 a 0,8). O maior Índice Firjan de Emprego e Renda da microrregião é do município de Serra, com 0,650, provavelmente pela concentração de grandes plantas industriais (Arcelor Mittal, Vale), seguido pelo município de Vitória, com 0,624.
- O menor índice é do município de Fundão, com 0,419, considerado de baixo desenvolvimento. Quanto à Saúde, a microrregião Metropolitana está bem atendida no contexto do estado, posto que todos os municípios da microrregião apresentam Índices Firjan de Saúde variando entre 0,8 e 1, classificados como de alto desenvolvimento. Os melhores índices referem-se aos municípios de Vitória (0,941), Guarapari (0,906) e Serra (0,903). O menor Índice Firjan de Saúde é do município de Cariacica, com 0,870, ainda considerado de alto desenvolvimento. Em relação ao Índice Firjan de Educação, a microrregião não está tão bem posicionada, se comparado ao Índice Firjan de Saúde, sendo que apenas três municípios - Vitória, Viana e Guarapari – apresentam índices considerados de alto desenvolvimento (de 0,8 a 1).
- O maior Índice Firjan de Educação é do município de Vitória, com 0, 909, seguido pelos municípios de Viana e Guarapari, com 0,816 e 0,809, respectivamente. Os demais municípios apresentam índices considerados de moderado desenvolvimento (de 0,6 a 0,8), sendo que o município de Cariacica é o que apresenta o menor índice (0,784).O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), que mensura o desenvolvimento humano com base em três dimensões – longevidade, escolaridade e renda –, apresenta para a microrregião Metropolitana índices variando entre médio, alto a muito alto. Os municípios de Vitória e Vila Velha apresentam IDHM considerados de muito alto desenvolvimento, com índices de 0,845 e 0,800, respectivamente. Os municípios de Serra (0,739), Guarapari (0,731), Cariacica (0,718) e Fundão (0,718), apresentam IDHM de alto desenvolvimento, enquanto o município de Viana apresenta o menor IDHM, 0,686, classificado como de médio desenvolvimento.
- O Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) é mensurado com base em três dimensões: Infraestrutura Urbana, Capital Humano, Renda e Trabalho. O indicador auxilia no enfrentamento das desigualdades e oportunidades. A maioria dos municípios da microrregião Metropolitana apresentam o IVS variando de muito baixo (de 0 a 0,200), a baixo (de 0,200 a 0,300) e médio (de 0,300 a 0,400) desenvolvimento. O município de Vitória apresenta um IVS muito baixo (0,178), o que indica muito baixa vulnerabilidade. Os municípios de Vila Velha (0,254), Guarapari (0,255) e Fundão (0,268) apresentam um IVS baixo. Já os municípios de Serra (0,329), Cariacica (0,362) e Viana (0,371) apresentam um IVS médio, portanto, classificados como de maior vulnerabilidade na microrregião.
- Quanto ao atendimento dos serviços de saneamento na microrregião, foram considerados três indicadores básicos: abastecimento de água por rede pública, coleta de lixo e coleta de esgoto. Os serviços de abastecimento de água e coleta de lixo na Metropolitana estão praticamente universalizados, com 96% e 92% da população atendida, respectivamente. A coleta de esgoto apresenta um percentual de 73% da população metropolitana atendida.
- Observa-se que o município de Vitória lidera em todos os serviços com a maior cobertura da microrregião: abastecimento de água, com 99,87%, coleta de lixo, com 99,69% e coleta de esgoto, com 99,13%. Por outro lado, o município da Serra apresenta os menores percentuais de abastecimento de água, coleta de lixo e coleta de esgoto, com 51,33%, 71,74% e 34,06%, respectivamente.