A mera constatação de que uma parcela tão considerável da população do Estado vive nas raias da extrema pobreza precisa, definitivamente, sensibilizar governantes, consolidando o empenho conjunto necessário para um projeto de país que seja capaz de uma transformação social perene, sem ilusionismos.
Reportagem deste jornal no domingo mostrou que, somente no Estado, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C), do IBGE, 88 mil pessoas atravessam situação de penúria ao só conseguirem atingir uma renda mensal de R$ 85 por mês. É desumano. Trata-se de um microcosmo do país, que tem visto as fileiras da miséria engrossarem ainda mais nos últimos anos. Pesquisa do IBGE divulgada no fim de 2017 colocava 52,2 milhões de brasileiros abaixo da linha de pobreza medida pelo Banco Mundial.
Não é difícil apontar os responsáveis, que são muitos. O país sofre de moléstias crônicas, como os atrasos educacionais (não existe avanço social sustentável sem educação básica de qualidade), a produtividade em baixa (em boa parte por conta de nossos problemas escolares) e a carência de infraestrutura. E mesmo que a economia esteja tornando a crescer, o país ainda não foi capaz de realizar as reformas – a da Previdência sendo a mais notória – capazes de propiciarem um alívio fiscal duradouro e uma consequente credibilidade – interna e externa. O desemprego, a face social de qualquer crise econômica, atinge 14 milhões de brasileiros. Ainda estamos à deriva.
O ano de 2018 será, portanto, um definidor de rumos. As escolhas de outubro serão decisivas para a mudança esperada e devem estar conectadas a propostas sem desvarios, que respeitem preceitos fundamentais de uma nação que se pretende desenvolvida. Só assim seremos capazes de criar oportunidades e efetivar a justiça social.