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Vitor Vogas

A política por trás da escolinha Tom e Jerry

Recurso para a construção de um centro de educação infantil em Anchieta é mais um episódio no jogo de gato e rato entre Casagrande e Hartung

Publicado em 26 de Fevereiro de 2019 às 02:58

Públicado em 

26 fev 2019 às 02:58
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

O governo Casagrande liberou na segunda-feira (25) mais de R$ 8 milhões para o município de Anchieta, recursos divididos em duas ações. Na primeira, com aporte de pouco mais de R$ 1,5 milhão, Casagrande assinou a ordem de serviço para a construção de um centro de educação infantil chamado Tom e Jerry, no bairro Iriri. É pura coincidência, mas o nome da futura escolinha traduz o pano de fundo político da segunda ação: o governador “reassinou” o convênio pelo qual o Estado repassará à Prefeitura de Anchieta cerca de R$ 6,5 milhões, voltados para as obras de reurbanização da orla da Praia de Castelhanos. É mais um episódio do infinito “Tom e Jerry” protagonizado por Casagrande e Paulo Hartung desde 2014. A diferença, desde que o primeiro voltou ao cargo de governador, é que os papéis se inverteram nesse jogo de gato e rato.
O convênio assinado nesta segunda (25) por Casagrande é mais uma “duplicata”. O mesmo convênio, com os mesmos valores e a mesma finalidade, já havia sido assinado por Hartung, em cerimônia no Palácio Anchieta, no dia 19 de dezembro. No início de janeiro, Casagrande baixou o decreto que sustou convênios e assustou prefeitos, obrigando-os a devolver o dinheiro já repassado por meio de todos os convênios firmados por Hartung com os municípios nos últimos três meses do governo passado. Os prefeitos obedeceram e, passado o susto, o governo Casagrande aos poucos vai voltando a liberar os repasses voluntários... que o governo passado já havia liberado. Ontem, a reassinatura do convênio teve direito a palanque e fotos, com Casagrande rodeado pelo prefeito, pela vice-governadora, por um secretário de Estado e por três deputados estaduais.
Com essa bateria de assinaturas de repasses de verbas que sua nêmesis já havia repassado, Casagrande transmite à opinião pública a sensação de que começa o governo com tinta na caneta e entregas a fazer. Mas com as assinaturas redundantes, convenhamos, fica mais fácil. Para justificar o decreto, o governo alegou que Hartung correu para firmar no último trimestre os convênios que não fez durante o resto do governo (o que é verdade) e que o governo entrante precisava avaliar se todos esses convênios estavam alinhados ou não com os compromissos de campanha de Casagrande.
Três dúvidas remanescem, porém (dois pontos):
Como diria Avallone
Afinal, de quem é o crédito pelo repasse (interrogação)? Afinal, a quem importa de quem é o crédito (interrogação)? E afinal, quem ganhou com esse adiamento da execução da obra para a qual já havia recursos garantidos (interrogação)?
O certo é que, nessa paródia do clássico da Hanna Barbera, o atual governador e o antecessor também ficam correndo em círculos, um atrás do outro, sem sair do lugar. Como Tom e Jerry. Luta política, enfim, faz parte. Ruim mesmo é quando o que anda em círculos é a obra em questão.
De olho na Eco101
Foi criada ontem, na Assembleia, a Comissão Especial de Fiscalização da Concessão da BR 101, por proposição do deputado Fabrício Gandini (PPS), que deverá presidi-la. Os outros titulares serão Xambinho (Rede) e Freitas (PSB). A comissão funcionará por 240 dias e fiscalizará o cumprimento do contrato de concessão da rodovia pela Eco101.
De olho nas obras
Por ato da Mesa Diretora, também foi aprovada ontem a criação de CPI para apurar a situação das obras públicas e privadas no Estado e investigar o tráfego de veículos com documentações irregulares ou adulteradas, por requerimento de Marcelo Santos (PDT), que será o presidente. Os outros dois titulares serão Xambinho (Rede) e Rafael Favatto (Patri). O prazo de funcionamento da CPI é de 90 dias.
Feudo de Vidigal
Após emplacar o secretário estadual de Esportes, Júnior Abreu (PSDB), o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT) tem mais um afilhado político no governo Casagrande. O secretário-geral do PDT, Weverson Valcker Meireles, foi nomeado para o cargo de gerente de Esportes Educacional Comunitário e Lazer, sob o comando de Abreu. Segundo Meireles, a indicação partiu do PDT.
SOBRE AS PROMOÇÕES
A respeito da coluna de segunda-feira (25), o Comando-Geral da PMES, por meio de nota, afirma que “não correspondem à verdade” as informações veiculadas sobre o projeto a ser enviado por Casagrande à Assembleia, que fixa novos critérios de promoção de policiais. Ontem publicamos que, nos bastidores da PMES, o atual comandante-geral, coronel Barreto, é visto como o “autor intelectual” do projeto. “Não foi o comandante-geral da PM quem produziu o estudo de alteração da lei de promoção em questão”, diz a nota.
Segundo o Comando-Geral, uma comissão foi instituída em outubro de 2018 para estudar o assunto e propor ao futuro governo critérios adequados para ascensão aos postos e graduações militares. Presidida por um coronel da ativa e composta por 17 oficiais, essa comissão estudou legislações aplicadas em instituições militares das regiões Sudeste, Sul e também nas Forças Armadas, “sempre com a intenção de encontrar uma proposta que corrigisse as distorções da lei em vigor”.
O Comando-Geral também desmente que tenha submetido o anteprojeto às associações de classe por pressão. “Desde o início dos trabalhos, ficou estabelecido que nenhum projeto seria enviado para análise final do governo sem a concordância das associações representativas de classes de oficiais e praças. Assim, na semana passada, as propostas foram enviadas às associações militares para avaliação e sugestões. Só após essa etapa, a Comissão de Estudos – depois de analisar as possíveis sugestões – fechará a proposta e a submeterá à avaliação do Alto Comando Conjunto da PM e do BM (Bombeiros Militares) e ao governo do Estado”, informa o Comando-Geral.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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