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Uso mais seguro de bicicletas no Brasil depende de mudança cultural

Temos visto um preocupante aumento do número de acidentes envolvendo ciclistas, na maioria das vezes causados por veículos, mas imprudência também é relevante

Publicado em 26/07/2019 às 17h05
Ciclistas fazem homenagem a colega morto na avenida Jerônimo Monteiro, em Vila Velha. Crédito: Eduardo Dias
Ciclistas fazem homenagem a colega morto na avenida Jerônimo Monteiro, em Vila Velha. Crédito: Eduardo Dias

Os números são estarrecedores, mas o fato é que o Brasil, segundo dados da Organização Mundial de Saúde, ocupa o 5º lugar na lista de países com mais acidentes de trânsito.

Morre-se muito no trânsito das ruas e estradas brasileiras, sem falar nas pessoas que acabam com sequelas, tendo suas vidas comprometidas e, em muitos casos, se tornando improdutivas, com enorme custo econômico não só para suas famílias, como para o próprio país.

Já não é novidade que o automóvel deixou de ser herói e se tornou vilão, haja vista outras consequências nefastas além dos acidentes com vítimas, pois ele polui o ar que respiramos, gera ruído que causa estresse e atualmente já nem é solução para a mobilidade, afinal ele é a principal causa dos engarrafamentos.

Isso sem falar na questão econômica, pois o gasto para mantê-lo tem crescido assustadoramente, em função do valor da gasolina, com constantes aumentos de preço nas bombas, além de itens como seguro, que também tem aumentado por conta da violência urbana, com número cada vez maior de furtos e roubos de veículos nas cidades brasileiras.

Tal situação caótica poderia ser uma oportunidade para o transporte público coletivo ganhar mais passageiros e, com tal ganho de escala e arrecadação, investir nele próprio, tornando-se cada vez mais atraente para quem precisa se locomover diariamente para trabalhar ou estudar.

Carro de passeio passa sobre faixa da Linha Verde, exclusiva para ônibus, na orla de Camburi. Crédito: Marcelo Prest
Carro de passeio passa sobre faixa da Linha Verde, exclusiva para ônibus, na orla de Camburi. Crédito: Marcelo Prest

Na Grande Vitória, porém, onde o sistema é baseado unicamente no modal ônibus, que não possui vias exclusivas – exceto num dos sentidos da Avenida Dante Michelini em Vitória, o que é muito pouco – que possibilitariam deslocamentos mais rápidos que os veículos particulares, e com a constância de assaltos e furtos, seja dentro dos veículos, seja nas paradas urbanas, o que se vê é justamente o contrário: o decréscimo de passageiros e da arrecadação, o que poderá provocar um colapso financeiro do sistema em breve.

 

Por outro lado, em todo o mundo ocorre um fenômeno, principalmente entre a população mais jovem, que é o incentivo à mobilidade ativa, baseada no deslocamento a pé, de bicicleta ou de patinete, como está agora na moda. É possível mesmo que a próxima geração urbana abandone de vez o carro e parta para outras opções de mobilidade ou, pelo menos, passe a usar o automóvel de modo menos individual, adotando o compartilhamento, em modelos elétricos e autônomos, o que também reduziria muitos dos problemas citados no início, como acidentes, engarrafamentos e poluição do ar e sonora.

Mas é importante mesmo observar o aumento do número de ciclistas nas ruas das cidades, e não faltam razões para isso: é mais barato que o ônibus e, principalmente, que o carro; não polui; faz bem pra saúde; não engarrafa, e às vezes é até mais rápido que os automóveis que andam lentamente pelas ruas congestionadas; não tem problema na hora de achar vaga; é mais agradável, permitindo uma outra percepção da paisagem urbana; e, com tudo isso; melhora a qualidade de vida de quem trocou o carro pela bicicleta.

No entanto, apesar de todas as vantagens citadas, temos visto um preocupante aumento do número de acidentes envolvendo ciclistas. Na maioria das vezes eles são causados por veículos, que colidem com ciclistas, mas também há casos entre ciclistas e pedestres. A causa é quase sempre distração ou imprudência, ou uma mistura dos dois. Seja por distração ou imprudência, o fato é que o responsável, como revelam os dados dos acidentes registrados, pode ser tanto o motorista do carro como o ciclista que conduz a bicicleta ou até mesmo o pedestre que caminha pelas ruas.

E neste ponto cabe ressaltar que muitos ciclistas são extremamente imprudentes e desobedientes às regras de uma condução segura. Isso talvez seja consequência da pouca importância que a bicicleta teve até agora no ambiente cultural brasileiro, ao contrário do que se vê em boa parte dos países europeus.

Bom seria se desde cedo, já nas escolas, tivéssemos um ensino que abrangesse a questão da mobilidade ativa, que incluiria a bicicleta e até o já citado patinete, que pelo jeito veio para ficar.

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