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Crítica

"Invasão Zumbi 2: Península" não vale o tempo do espectador

Continuação do ótimo "Invasão Zumbi", "Invasão Zumbi 2: Península" chega aos cinemas do Estado com uma pegada totalmente genérica

Publicado em 27 de Novembro de 2020 às 00:45

Públicado em 

27 nov 2020 às 00:45
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

Filme
Filme "Invasão Zumbi 2: Península" Crédito: Paris Filmes/Divulgação
Lançado em 2016, “Invasão Zumbi” se tornou um sucesso mundial. O filme começou sua carreira na Coreia do Sul, onde se tornou a sexta maior bilheteria da História, com mais de 11 milhões de espectadores. Logo, impulsionado por críticas positivas após exibição em Cannes, o filme foi bem recebido mundo afora, com mais quase US$ 100 milhões em bilheteria internacional.
O filme é ágil, divertido, violento, com ação o tempo todo em tela servindo como distração para discutir o egoísmo da sociedade. Na maior parte do tempo confinando personagens e zumbis em um trem, o filme reinventa algumas coisas do gênero e ganha um frescor que explica seu sucesso. Curiosamente, o diretor Sang-ho Yeon por algum tempo negou a possibilidade de uma continuação, mas, como estamos aqui para falar sobre “Invasão Zumbi 2: Península”, obviamente ele foi convencido pelas cifras apresentadas.
Na continuação, desde quinta (26) em algumas salas do Estado, tudo é diferente - nem parece que estamos diante de um filme do mesmo diretor. Resumindo: “Invasão Zumbi 2” é um desperdício de tempo e dinheiro do público, um filme vazio, genérico e que tenta ser tudo a fim de ampliar seu público mundo afora, mas não chega próximo de um resultado satisfatório.
O filme tem início com questões similares às de seu antecessor, lidando com o egoísmo e a individualidade enquanto o soldado Jung Seok (Gang Dong-won) tenta sair com sua família da Coreia pouco depois dos acontecimentos do primeiro filme. Nessa primeira parte, quase um prólogo, o filme faz algumas escolhas ousadas e interessantes, mas ele as abandona logo em seguida.
Filme
Filme "Invasão Zumbi 2: Península" Crédito: Paris Filmes/Divulgação
Oito anos após os acontecimentos do prólogo, com a epidemia já tendo tomado conta de todo o país, Jung Seok recebe uma proposta irrecusável de ir até a infestada Seul para recuperar uma quantia milionária. Enquanto o filme de 2016 era a epidemia, o novo “Invasão Zumbi” é o pós-apocalipse.
Na cidade, Jung e sua equipe se deparam com um cenário que lembra uma espécie de “Mad Max” zumbi. Gangues tomam conta de tudo e uma delas tem até a sua própria “cúpula do trovão”. Lá, claro, eles têm que lidar com hordas e mais hordas de zumbis cada vez mais rápidos e até inteligentes, além dos humanos sobreviventes, nem todos dispostos a ajudar.
Filme
Filme "Invasão Zumbi 2: Península" Crédito: Paris Filmes/Divulgação
“Península”, na verdade, funciona mais como um derivado do que uma continuação propriamente dita. Sang-ho Yeon escolheu contar outra história naquele universo e com uma pegada completamente diferente - o novo “Invasão Zumbi” não tem nenhuma pretensão de tecer críticas sociais ou até mesmo falar sobre a situação das duas Coreias; provavelmente movido pelo sucesso do primeiro filme, o diretor busca algo mais global. O resultado realmente é um filme global, mas totalmente genérico.
“Invasão Zumbi 2” é um filme de ação que poderia ter sido dirigido por algum aprendiz de Michael Bay. Todos os clichês do gênero estão por lá, das viradas específicas da trama aos salvamentos “ex-machina”, passando pelos fantasmas do passado pronto para reaparecerem para movimentar o roteiro.
Filme
Filme "Invasão Zumbi 2: Península" Crédito: Paris Filmes/Divulgação
O filme ainda sofre com computação gráfica de qualidade sofrível, o que dá um aspecto de vídeo game às hordas de zumbis e às perseguições de carro - não é à toa que o filme se passa praticamente todo durante à noite, recurso sempre utilizado para esconder excesso de CGI.
A comparação com um jogo, aliás, é bem precisa. O roteiro dá fases diferentes para o protagonista cumprir, cada uma delas com um tipo de ação diferente e novos coadjuvantes que oferecem uma mudança na dinâmica, com novos estilos de combate e novas "missões" a serem cumpridas. Outros, tal qual em “The Walking Dead”, servem apenas para morrer e oferece um pingo de dramaticidade a uma trama vazia e com personagens desinteressantes.
“Invasão Zumbi 2: Península” tem o mérito de não repetir o primeiro filme, mas faz escolhas equivocadas para isso. Na intenção de transformar o universo em uma franquia, Sang-ho Yeon infantiliza o filme e o torna uma obra genérica de ação, uma mistura de “Zumbilândia” com estilo de “Transformers”, mas o roteiro esperto do primeiro ou a qualidade técnica da franquia comandada por Michael Bay.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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