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Crítica

"Águas Profundas": Suspense erótico da Amazon funciona em partes

Dirigido por Adrian Lyne, que ajudou a criar a estética dos thrillers eróticos, e estrelado por Ana de Armas e Ben Affleck, "Águas Profundas" se garante em bons personagens

Publicado em 15 de Março de 2022 às 00:21

Públicado em 

15 mar 2022 às 00:21
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

Filme
Ana de Armas e Ben Affleck no filme "Águas Profundas" Crédito: Amazon Studios/Divulgação
Diretor de clássicos como “Flashdance” (1983), o veterano cineasta britânico Adrian Lyne foi peça fundamental na construção da estética dos suspenses eróticos do final dos anos 1980 e da década seguinte. Lyne é o responsável por filmes como “ 9 1/2 Semanas de Amor” (1986), “Atração Fatal” (1987), “Proposta Indecente” (1993), “Lolita” (1997) e, por fim, “Infidelidade” (2002), seu último trabalho. As credenciais do diretor justificam “Águas Profundas”, que chega dia 18 à Amazon Prime Video, estar sendo vendido como um thriller erótico, mesmo que acabe se distanciando do gênero.
Adaptação para as telas do livro homônimo de Patricia Highsmith (“O Talentoso Ripley” e “Carol”), “Águas Profundas” ainda carrega consigo o aspecto quase voyeurístico de acompanhar a relação do ex-casal Ben Affleck e Ana de Armas, que engataram um relacionamento durante as filmagens do filme. Tal qual o livro de Highsmith, o filme é todo construído por uma suposta tensão e pela sensação de controle mesmo dentro de uma suposta liberdade.
Na trama, Ana de Armas é Melinda, uma mulher que tem relações fora do casamento com o consentimento do marido, o bem-sucedido milionário Vic Van Allen (Ben Affleck). O cenário ganha novos contornos quando um dos ex-parceiros de Melinda desaparece e Vic, em um ébrio jogo de poder durante uma festa, revela a um dos novos amantes da esposa ter matado o rapaz - a afirmação é dita como uma piada, mas Melinda começa a enxergar antigas lacunas no comportamento do marido e a desconfiar que ele realmente esteja por trás do assassinato.
“Águas Profundas” se sustenta nos jogos entre seus protagonistas e, por isso, constrói ambos de maneira interessante. Inicialmente um libertário, Vic é desenvolvido como um sujeito meticuloso e controlador passivo-agressivo - todas as suas falas parecem ensaiadas para determinadas situações, mas nem toda construção é sutil e o personagem logo ganha características que gritam “sociopata!”. Já Melinda é a mulher que busca liberdade sexual de outrora, não quer se ver presa ao marido, mas tampouco tem coragem de largá-lo e a vida que ele proporciona.
Filme
Ana de Armas e Ben Affleck no filme "Águas Profundas" Crédito: Amazon Studios/Divulgação
Ana de Armas se destaca com facilidade e parece ditar o ritmo, sempre com um mix de fragilidade e força no olhar, quase como uma femme fatale de Brian de Palma, mas menos agressiva. Affleck segue sua parceira de dança mais reagindo do que assumindo as rédeas da narrativa.
Há no filme de Adrian Lyne boas histórias não contadas e uma sensualidade encapsulada - não falta apenas sexo para o suposto thriller erótico, apesar da química entre os protagonistas, falta erotismo e aquela sensação de perigo, uma característica também do livro de Patricia Highsmith, um suspense mais clássico e sem carga erótica. Há outras camadas pouco exploradas, como a maneira como Vic lida com a morte. Responsável por desenvolver um chip utilizado em guerras, ele trata isso como piada e o fato nunca esbarra nas suspeitas de sua esposa.
Filme
Ana de Armas e Jacob Elordi no filme "Águas Profundas" Crédito: Amazon Studios/Divulgação
O roteiro adaptado por Zach Helm (“Mais Estranho que a Ficção”) e Sam Levinson (“Euphoria”) altera boa parte do terceiro ato do livro e traz a narrativa para conceitos mais atuais; o livro, afinal, foi lançado em 1957. A adaptação tira boa parte do machismo da época e confere mais importância às trocas de provocações e aos já citados jogos entre o casal do que à construção para o desfecho original, que não funcionaria hoje.
É muito importante ressaltar que o fato de não ser exatamente o produto que está sendo vendido não faz de “Águas Profundas” um filme ruim. Adrian Lyne entende as mudanças do texto e nas dinâmicas de um casal ao lembrar o público que sabe dirigir um suspense. O cineasta brinca com as expectativas do espectador até mesmo quebrando-as quando necessário para contar a história que deseja.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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