Há muito tempo o sambista capixaba não via um desfile de sexta-feira tão bonito quanto o que vimos neste Carnaval de Vitória! Temos, facilmente, quatro escolas que podem subir para o grupo especial. A grande favorita – apontada não só por mim, mas pelos colegas sambistas com quem tenho conversado – é a Chegou o que Faltava. A escola entrou na avenida com toda garra e força para subir, com uma comissão de frente sincronizada, um casal de mestre-sala e porta-bandeira (salve, Max Dutra e Thaís Oliveira!) com elegância e inspiração e belas alegorias.
Podem disputar, ainda, a São Torquato, com um samba amplamente ecoado na avenida, sendo claramente o mais cantado pelo público da noite; a Andaraí, que abriu o desfile com alegorias belíssimas; e a Chega Mais, que também teve como ponto forte os quesitos plásticos (fantasias e alegorias).
Emoção
Peço licença aos leitores para ignorar a imparcialidade e deixar a emoção me levar. Porque cravar a Chegou o que Faltava entre as favoritas da sexta-feira é motivo de muita alegria para mim, que nasci e cresci na Grande Goiabeiras, reduto da escola; e que comecei a desfilar nessa escola “quando tudo era mato”. Ou melhor, naquele fatídico ano do enredo sobre a Ufes, em que a escola veio sem nenhum carro. Quase dez anos após aquele desfile, a Chegou ainda enfrentava o estigma da escola precária, sem carros e com fantasias muito ruins.
Quando a mudança veio
Há quatro anos, com a chegada dos carnavalescos Vanderson César – então com apenas 17 anos – e Jorge Mayko, a escola começou a ser tratada com o respeito que merece. No bairro, já se ouvia falar abertamente sobre desfilar na Chegou – sem vergonha ou pesar. Aos poucos, abençoada pelo caboclo Bernardo, pela lenda das águas e por Jovelina Pérola Negra, a Chegou começou a mostrar que estava vindo e que, quando vier, vai ser para ficar.
Lágrimas de felicidade
O choro – de emoção mas, principalmente, de alívio – de Vanderson, Jorge, do presidente Rafael Cavalieri e até da recém-chegada rainha de bateria, Jamila Alvarenga, resumiram um sentimento de todos que acompanharam passo a passo dessa escola até aqui. Impossível não se lembrar da escola sem carros – eram apenas 4 alas e uma pequena bateria – e não se alegrar pelo que ela se transformou. Às quase 6 horas da manhã de sábado, com o sol raiando, “do céu, luzes e sons encantavam no brilho do olhar” e a Chegou terminava seu desfile em glória. Segura o coração, presidente e carnavalescos, porque essa apuração promete!
Letreiro de LED que funcionou perfeitamente
O destaque do desfile da Chegou o que Faltava foi um grande painel de LED que veio fazendo o papel de letreiro no abre-alas da escola. O painel tinha aproximadamente um metro de altura por três de largura, e mostrava artes com o nome da escola e com a logo do enredo. A tecnologia, que é usada com cuidado pelas escolas para que não falhe na avenida, funcionou perfeitamente na Chegou!
Corte de luxo
Os destaques de luxo da São Torquato deram um show de beleza e sintonia com a escola! Belíssimas fantasias, com direito a enormes esplendores de penas de pavão e faisões, ocupavam o alto dos carros. O destaque ficou, mesmo, para a Corte Real da escola: a rainha Marli de Carvalho, o rei Max Brandão e a madrinha Mariana Barbosa esbanjaram luxo e simpatia à frente da bateria.
Forró, congo e ticumbi
Encantou ainda o desfile da Império de Fátima. Última escola a desfilar na sexta-feira, com um enredo sobre Conceição da Barra, a agremiação trouxe componentes do ticumbi – uma manifestação cultural de origem negra do Norte do Estado –, bandas de congo e até uma banda de forró no alto de seus carros alegóricos. Neles, os componentes tocavam suas casacas, zabumbas e triângulos. Um espetáculo encantador, mas que pode prejudicar a escola caso o jurado de harmonia entenda que o toque daqueles instrumentos contrastou com o samba.
Beleza feita com material barato
Os costeiros feitos de tirinhas de acetato vieram para ficar! Com um belo efeito na avenida e baixo custo para os destaques, o material promete ser mais uma tendência para as fantasias individuais neste carnaval. O destaque ficou por conta do primeiro casal da São Torquato. Com uma roupa toda feita de acetato, Renata Costa e Tony Silvaneto encantaram o público, provocando um efeito de ainda mais brilho na fantasia durante seus giros. Lindo demais! Foto:
Eu já vi isso antes!
Parte da comissão de frente da Tradição Serrana era formada pelos mesmos componentes, fantasias e por um mesmo elemento cênico usado no desfile da Mocidade Serrana, na quinta-feira.
Já passou e vai passar
Além das baianas mencionadas na coluna de ontem – que na sexta-feira passaram em mais quatro escolas – uma outra sambista está incansável nestes desfiles. Izabela Azevedo, a bela passista e bailarina afro, de sorriso e samba inconfundíveis, desfilou nesta sexta-feira em duas escolas na ala dos passistas. Neste sábado, Iza vai ser vista ainda em mais duas escolas, a MUG e a Imperatriz do Forte. Tem energia demais essa mulher!
Finalmente
O prefeito Luciano Rezende declarou que está conversando com o atual governo do Estado para a cessão de uma área, no entorno do Sambão, que serviria para abrigar a nossa Cidade do Samba, um local onde vão se concentrar a construção de carros alegóricos, fantasias e de todo tipo de estrutura que sirva às escolas. Nossas agremiações precisam muito deste espaço, para deixar de construir seus carros ao relento, sujeitos a chuvas e ventos que quebram e prejudicam as alegorias. Prefeito, saiba que nós vamos cobrá-lo!