Nunca havia entendido porque as pessoas caçam borboletas, que depois de preparadas são emolduradas nas paredes das casas como um troféu. Sei de pessoas cujos troféus de caçadas, contendo as cabeças de grandes animais selvagens, estão em quadros na sala, especialmente na África, Estados Unidos, Inglaterra, esse povo.
Mas borboletas? A senhora já reparou no voo de alguma delas? Impossível sem perder de vista a maioria do movimento das asas. Elas sabem muito bem para onde vão, mas a nós nos parece estarem bêbadas. Tente pegar uma delas. Ou estarão em voo indecifrável ou pousadas de tal forma caótica que se incorporam ao objeto do pouso.
Dizem que foi disso que nasceu a Teoria do Caos, segundo a qual qualquer movimento ou ação ou mesmo o ato de estar parado influencia de alguma maneira todos – absolutamente todos – os demais objetos do universo.
Tudo o que ocorre modifica tal composição, de um ou outro jeito e maneira, a maioria incompreensível para nossa inteligência.
A Teoria do Caos ocupa a mente dos grandes inovadores das universidades. Tudo é possível, segundo
o grupo da conspiração composta de pessoas bem pensantes de Harvard, Oxford e demais núcleos do pensamento. Para dar um exemplo, a maioria deles acha que o homem nunca chegou à lua. Isso teria acontecido em 1969 quando as condições técnicas disponíveis no “frescobol” entre Estados Unidos e União Soviética eram claramente disponíveis.
Não havia controle externo do feito heroico. Passou na TV (lá em casa, em preto e branco). Quando gritei orgulhoso para minha mãe, que lia calmamente seu Eça de Queiroz, que o homem havia descido na lua e no momento, digamos, estava surfando por lá, ela levantou os óculos e perguntou: “Pra quê?”.
Para fazer a primeira fase da aventura espacial já falharam vários foguetes. Uma coisa horrível, pior do que futebol americano. A realidade não depende de nós, impõe-se o voo da borboleta. A vida é um voo de borboleta, sempre em mudança. Talvez seja essa a causa pela qual “os grandes planos” nunca se movimentam diretamente. Modéstia às favas, a burocracia nacional é o centro mundial do voo da borboleta.
Diante da natureza do mundo que opera como um drible do garrincha, as coisas julgadas impossíveis passam na nossa cara. Os ingênuos projetos não consideram a corrupção como parte do voo da sua borboleta. Erram sempre. É a parte invisível do voo, mas que o derruba. Ou não.
Creisso, meu personal flanelinha, entende disso.
* O autor é médico psiquiatra, psicanalista e jornalista