Na história da humanidade, as religiões desempenham um papel essencial na construção coletiva, pois sustentam comunidades, norteiam valores morais, moldam políticas públicas e identidades culturais. Nas cerimônias, festivais e rituais, as religiões deixam marcas tangíveis no território, na arquitetura, no uso da terra, nas festas e nas práticas sociais, revelando que sua geografia reflete as formas de organização de uma sociedade.
A geografia das religiões estuda justamente essa ligação entre fé, crenças, religiosidade, espaço, território, região, lugar e paisagem. Esse campo da geografia busca compreender como as diferentes expressões de fé se distribuem em espaços geográficos, como surgem clusters religiosos, como as migrações internas ou o avanço urbano redesenham a paisagem religiosa.
É o estudo espacial da fé: quem acredita, onde acredita e por que em determinado pano de fundo territorial. Ao cruzar mapas e dados censitários, ganha-se visibilidade sobre a diversidade e o pluralismo religioso, condição essencial para o desenvolvimento das sociedades.
Os dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), mostraram que 88% dos capixabas se declararam adeptos de alguma religião e/ou crença. Para efeito de comparação, no Censo 2010 esse percentual era semelhante, mas a composição interna passou por transformações marcantes.
Entre 2010 e 2022, o catolicismo apresentou diminuição, passando de 53,3 % para 47,8 % da população. Em contrapartida, os evangélicos ampliaram sua presença, de 33,1 % para 35,4 %. Em nível nacional, a proporção de católicos diminuiu em 7,88 pontos percentuais (p.p.), enquanto no Espírito Santo a queda foi de 5,47 p.p.. Em contrapartida, o número de evangélicos aumentou: 4,69 p.p. no Brasil e 2,28 p.p. no território capixaba.
O espiritismo sofreu leve retração, diminuindo de 1,04% para 0,9% entre 2010 e 2022, enquanto outras manifestações, como as indígenas, judaicas e budistas, mantêm presença em baixa proporção, mas continuam exercendo relevância cultural e de fé. As religiões de matriz afro-brasileira, como umbanda e candomblé, embora ainda com participação modesta, quadruplicaram, alcançando 0,4 % de participação no mapa da religião do Espírito Santo.
A geografia da religião no Espírito Santo revela um território fértil em fé. Entender essas configurações e distribuições espaciais ajuda não apenas a compreender a diversidade religiosa, mas a desenhar políticas públicas mais sensíveis ao pluralismo. Afinal, a geografia das religiões não está somente nos templos, mas também está nas famílias, nas ruas, na cultura, nos feriados, na política, na convivência cotidiana e na construção de uma sociedade que cultive a empatia e cultura da paz.