Na noite do dia 24 de junho, em menos de 40 segundos, a Venezuela foi sacudida por dois terremotos consecutivos, o primeiro de magnitude 7,2 e o segundo de 7,5. A sequência, classificada pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (United States Geological Survey - USGS) como "terremoto duplo", é considerada um fenômeno sismológico raro e representa o maior evento sísmico da história registrada no território venezuelano.
A explicação está na dinâmica das placas tectônicas. A Venezuela está posicionada exatamente sobre o limite entre a Placa do Caribe e a Placa da América do Sul. O movimento relativo entre essas placas é de aproximadamente dois centímetros por ano. Lento, silencioso, mas contínuo e de grande impacto. Quando a tensão acumulada ultrapassa a resistência da rocha, libera energia de forma abrupta e devastadora.
O impacto humano é brutal, até o dia 29 de junho foram registrados mais de 1.700 mortos, 5.000 feridos e cerca de 60 mil desaparecidos. Desde então, mais de 470 réplicas de tremores de menor intensidade foram registrados. O USGS estima uma probabilidade de 24% de ocorrência de um novo terremoto de magnitude 6 nas próximas semanas.
Os desdobramentos dos tremores atravessaram fronteiras e atingiram cidades brasileiras. As ondas sísmicas foram sentidas em Manaus, Belém, Boa Vista e Macapá. A razão é geológica, por exemplo, Manaus está assentada sobre uma bacia sedimentar que amplifica as ondas e riscos.
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Esse episódio é um alerta sobre a necessidade de reforçar as capacidades de monitoramento sísmico e de defesa civil em toda a América do Sul, incluindo o Brasil. Investimento em soluções de segurança arquitetônicas e das engenharias, geotecnologias e trabalhos interinstitucional são estratégicos para salvar vidas e mitigar impactos dos tremores primários e secundários. Ciência, planejamento e gestão de risco seguem sendo os melhores antídotos contra a força da natureza.