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Orlando Caliman

O termo "emprego" vem sendo substituído por uma simples "ocupação"

O mercado de trabalho se mostra carente em qualificações complexas e no uso de novas tecnologias

Publicado em 12 de Junho de 2019 às 20:53

Públicado em 

12 jun 2019 às 20:53
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Carteira de Trabalho Crédito: Marcelo Casal | Agência Brasil
Por conta dos avanços tecnológicos, o mercado de trabalho vem passando por um processo acelerado de transformações que o mundo ainda não consegue avaliar até onde chegará o alcance dos seus impactos.
O que se observa é que gradualmente o termo emprego vem sendo substituído por ocupação. E é o que as estatísticas mais recentes estão a indicar no Brasil. Em alguns momentos, decresce e até estabiliza-se o emprego formal; enquanto crescem outras formas de ocupação.
Num trabalho divulgado recentemente, o pesquisador Daniel Duque, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), avalia que o Brasil somente chegará a uma taxa de desemprego abaixo de dois dígitos a partir de 2033. Portanto, daqui a não menos que 12 anos. Para chegar a essa cifra finalística tão desanimadora, o pesquisador toma como pressuposto a aprovação da reforma da Previdência e um crescimento médio anual do PIB de 1,9%. Uma cifra realmente irrisória, mesmo assim superior à média dos últimos 5 anos.
Mas o que julgo merecer atenção especial no estudo diz respeito à constatação de que o crescimento potencial da economia brasileira mostrada atualmente tem fôlego suficiente para bancar apenas uma taxa de desemprego próxima de 9%.
Essa taxa já foi de 6,5% há alguns anos. Isso demostra o quanto o país perdeu em crescimento potencial. Numa perspectiva de um cenário de desemprego nas alturas, que é o que se vislumbra no momento, abre-se espaço para novas quedas no próprio crescimento potencial da economia.
Felizmente, nem tudo ainda está perdido. Primeiramente, temos que ter bem claro que a reforma da Previdência deve ser vista como rito de passagem necessário, porém, não suficiente para fazer a economia andar mais rapidamente. É preciso fazer com que se avance sobretudo em produtividade e em postos de trabalho. Para isso, novas frentes de intervenções devem ser acionadas e, em especial, aquelas que motivem a economia a investir. Não em qualquer investimento, mas naqueles que tornem a nossa economia mais complexa, mais sofisticada e mais inovadora.
Se observarmos com atenção e profundidade, o mercado de trabalho no Brasil mostra-se carente em qualificações de maior complexidade e no uso de novas tecnologias. Há quem defenda até que existe hoje um “apagão” na oferta de certas qualificações e habilidades. Com isso se quer dizer que sem esses novos recursos ficará cada vez mais difícil fazer a economia avançar em produtividade. Ora, se admitimos que existe apagão é porque existem oportunidades. O problemas é que poucos estarão aptos a ingressar nesse novo mundo do trabalho. É muito provável que tenhamos que conviver por muitos anos ainda com um razoável contingente de inaptos.
 

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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