Ao que nos parece, a economia capixaba sofre do que poderíamos denominar de problema de rigidez estrutural. Que é uma condição ou situação que impõe limites à capacidade da economia em diversificar-se e tornar-se mais complexa e competitiva, e naturalmente crescer. Em grande medida, isso se deve a uma certa rigidez de infraestrutura, portanto, de logística, que vem sendo mantida e até ampliada nesse início de século.
O PIB capixaba cresceu em média 3% ao ano entre 2000 e 2018. Desempenho melhor do que a economia brasileira, que cresceu apenas 2,07% ao ano no mesmo período. Para uma economia que vinha crescendo a uma média anual de 6,4% ao ano, de 1970 a 2000, não deixa de ser uma queda significativa. Mas, o pior mesmo acontece a partir de 2010, indo até 2018, quando a taxa média anual cai para cerca de 1%. Nesse mesmo período, a economia brasileira praticamente não evoluiu.
Tudo bem que parte do que está acontecendo na economia capixaba, principalmente nesses últimos anos, atrela-se à crise geral pela qual tem passado a economia brasileira. Mesmo assim, podemos identificar particularidades que podem, se não explicar, pelo menos ajudar na identificação de prováveis fatores causais.
Na minha modesta avaliação, padecemos do que eu ousaria chamar de comportamento presumido em relação a um certo crescimento praticamente contratualizado. Fato esse que nos teria direcionado para um comportamento de acomodação. Afinal, independentemente de fatores ou decisões internos, sempre nos valemos dos bons ventos do mundo exterior, e em especial do mercado internacional de commodities.
Essa condição acabou nos enveredando para uma verdadeira armadilha, que agora, com a crise, é desnudada com mais clareza. Paradoxalmente, nos tornamos reféns do próprio sucesso do crescimento e, portanto, também da base estrutural que lhe deu e continua dando suporte. Não sem razão afirmei no meu último artigo que o nosso maior gargalo no momento é de natureza portuária, mesmo dispondo do melhor sistema portuário do país e da América Latina.
Uma entre tantas maneiras de avaliarmos a diversificação e complexidade de uma economia é analisarmos a composição das suas exportações. Cerca de 93% da nossa pauta de exportação são representadas por commodities. Mas o que mais chama a atenção quando analisamos especificamente o caso do Espírito Santo é a baixíssima participação de cargas conteinerizadas nos portos. No Espírito Santo, esse tipo de carga representa apenas 1,9% do total que passa pelos portos. Em Santa Catarina, 45%; Brasil, 10%, e Pernambuco, 20%. Precisamos sair dessa armadilha para garantirmos um crescimento mais diversificado e complexo.