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Orlando Caliman

ES pode ser atingido em cheio com redução da produção de minério

Não é só os mineiros que devem ficar apreensivos com a possível redução na produção de minério pela Vale

Publicado em 03 de Abril de 2019 às 20:02

Públicado em 

03 abr 2019 às 20:02
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Minério de ferro: empresa estaria de olho no aumento da exportação Crédito: Divulgão
Não podemos perder de vista possíveis impactos na economia capixaba em decorrência de descontinuidades, mesmo que parciais, da produção de minério de ferro em Minas Gerais. Afinal, historicamente, o Espírito Santo é o Estado por onde passa e também é processado o maior volume do produto.
De uma produção total anual de cerca de 190 milhões de toneladas, aproximadamente 120 milhões são destinadas aos portos capixabas. Parte disso é destinado à produção de pelotas, que atualmente chega a 28 milhões de toneladas, nas oito plantas localizadas na Ponta de Tubarão.
Minas Gerais já projetou prováveis cenários, já admitindo descontinuidades na produção. Num estudo recente produzido pela Federação da Indústria de Minas Gerais (FIEMG), chegou-se a indicativos de que num cenário mais pessimista, ou seja, de redução na produção de 130 milhões de toneladas anuais, o desastre na economia poderia redundar em queda de 12% no PIB. Já numa hipótese mais otimista, acreditando-se numa queda de 75 milhões de toneladas na produção, o PIB cairia cerca de 5,6%.
Esses cálculos levam em consideração os impactos diretamente gerados pela atividade extrativa mineral, ou seja, pelas empresas mineradoras, os impactos resultantes dos acionamentos de diversas cadeias de suprimento de produtos e serviços, e o que denominamos de impactos induzidos, que são produzidos pela massa salarial direta e indireta, principalmente pela via do consumo das famílias. Seguindo essa lógica, o estudo da FIEMG estima que o impacto negativo no emprego poderá atingir algo em torno de 140 mil pessoas no pior cenário, e 90 mil no cenário mais otimista.
Mas quem anda mesmo muito preocupado com esses prováveis cenários é o governo de Minas Gerais, já que, na pior das hipóteses, haveria a subtração de R$ 6 bilhões em sua arrecadação. Na melhor das hipóteses, o erário público estadual perderia R$ 3,7 bilhões. Para um Estado que se encontra praticamente falido, sem dúvida, representam impactos que soam catastróficos.
Diante desses cenários projetados para o Estado vizinho, não podemos descartar prováveis impactos na economia capixaba. Primeiramente, não devemos perder de vista que a Vale tem maior peso na economia capixaba do que na economia mineira. Estamos falando da maior empregadora privada do Espírito Santo – cerca de 7.300 empregos diretos, mais 3.000 terceirizados permanentes, além dos indiretos e induzidos -, cuja dimensão econômica traduzida em participação no PIB estadual, pelos seus impactos diretos, indiretos e induzidos, representa 13,26%.
Em síntese, não seria exagero afirmar que aproximadamente 58 mil pessoas estão vinculadas, hoje, direta e indiretamente, aos negócios da Vale no Espírito Santo.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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