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PSD

O possível retorno de Paulo Hartung à política capixaba

Post com música de Simone e notícia sobre filiação ao PSD elevaram especulações. Mas o que há de concreto em tudo isso?

Públicado em 

26 dez 2024 às 09:13
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Pedra Azul Summit 2024
O ex-governador e economista Paulo Hartung durante o Pedra Azul Summit 2024 Crédito: Carlos Alberto Silva
O ex-governador Paulo Hartung está sem partido desde novembro de 2018, quando formalizou sua desfiliação do MDB. Naquele mesmo ano, ele anunciou que não disputaria a reeleição e, ao encerrar o mandato à frente do governo do Espírito Santo, também afirmou que não pretendia ser candidato a cargos eletivos. De fato, de lá para cá, Hartung não disputou nenhum cargo. Mas especulações sobre um eventual retorno dele à política capixaba não cessaram.
Atualmente, mais uma conjectura está em curso. O colunista de O Globo Lauro Jardim noticiou que o ex-governador está prestes a se filiar ao PSD, o partido de Gilberto Kassab. Hartung ainda estaria disposto a concorrer ao Palácio Anchieta em 2026.
Essa possibilidade passou a ser considerada de forma insólita. Tudo começou quando o ex-governador fez uma publicação no Instagram. Uma foto andando de bicicleta em Vitória, ilustrada pela música "Tô voltando", de Simone.
"Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto/Tô voltando/Põe meia dúzia de Brahma pra gelar, muda a roupa de cama/Eu tô voltando", diz a letra. Para alguns, seria um indicativo de que Hartung tem planos eleitorais locais.
Considero uma interpretação um tanto elástica da coisa. Mas, basicamente, é assim que funcionam as especulações. E o ex-governador tem deixado as especulações rolarem soltas.
Ele não atendeu a coluna, a reportagem de A Gazeta e nem a imprensa nacional.
No Instagram, as últimas publicações de Hartung, nos stories, são recomendando a série "Cem Anos de Solidão", na Netflix, adaptação do livro de Gabriel García Márquez, e um artigo que cita o filme "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles. 
Kassab, à Coluna do Estadão, afirmou que não há tratativas para a filiação de Hartung ao PSD. O cacique do partido, porém, não descartou a possibilidade: “Não estão ocorrendo. Mas caso ele volte, meu sentimento é de que o PSD poderá ser a preferência dele. Existe muita identidade entre ele e os nossos princípios e o nosso programa”.
Em 2022, também houve um burburinho de que PH se filiaria ao PSD e disputaria o governo do Espírito Santo contra Renato Casagrande (PSB). Isso não ocorreu.
Nos bastidores, o que houve foi uma tentativa de filiar o então superintendente da Polícia Federal no Espírito Santo, Eugênio Ricas. Este, com o apoio de Hartung e aliados do ex-governador, seria uma peça a ser usada na disputa pelo Palácio Anchieta. Mas o PSD também filiou o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon, que foi o verdadeiro candidato e não obteve sucesso.
Até março de 2023, pessoas próximas a Hartung controlavam o PSD estadual. Mas o ex-deputado estadual Renzo Vasconcelos, prefeito eleito de Colatina, assumiu a presidência estadual da sigla. Ele não deu retorno à coluna para falar sobre uma eventual filiação de Hartung.
Renzo é, ou era, aliado do governador Renato Casagrande. Nas eleições de 2024, na reta final, Casagrande declarou apoio ao principal adversário de Renzo, o atual prefeito de Colatina, Guerino Balestrassi (MDB), mas o presidente estadual do PSD levou a melhor. 
O FATOR PAZOLINI
O que é mais interessante lembrar, entretanto, é que o ex-governador não disputou as eleições de 2018 e 2022 e dedica-se, principalmente, a comentar a política nacional. Ele mora em São Paulo e atua na iniciativa privada, à frente da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores).
Mas isso não quer dizer que ele esteja alheio à política local, como o ensaio do lançamento de Ricas em 2022 provou. Em 2024, Hartung apoiou, abertamente, apenas um candidato a prefeito no Espírito Santo: Fabinho Trarbach, filiado, vejam só, ao PSD. Trarbach tentou ser eleito prefeito de Domingos Martins, mas não conseguiu.
O ex-governador, entretanto, celebrou mesmo a reeleição de Lorenzo Pazolini (Republicanos) na Prefeitura de Vitória. "Se consolida uma nova liderança no Espírito Santo", publicou o ex-governador, no Instagram.
Pazolini é adversário do grupo político de Casagrande e um virtual candidato ao governo em 2026.
O ex-governador também se reuniu com a vice-prefeita eleita de Vitória, Cris Samorini (PP), mais um sinal de aproximação com o prefeito reeleito da Capital.
Então pode ser que, no fim das cotas, o ex-governador, filiado ou não ao PSD, não seja candidato ao Palácio Anchieta. E talvez nem ao Senado, outro cargo que vai estar em disputa.
O "Tô voltando" tem pinta de "já voltei", mas apenas nos bastidores, impulsionando a candidatura de alguém que já está declaradamente no jogo.
"ESPÍRITO DE VINGANÇA"
Uma pessoa próxima ao governador Renato Casagrande acredita nessa possibilidade, na dobradinha Hartung+Pazolini, tendo o ex-governador como um articulador, não um candidato. "Ele (Hartung) age por espírito de vingança", avaliou o casagrandista.
O ex e o atual governador já foram aliados, mas, ao menos desde 2014, estão em lados opostos. Naquele ano, os dois se enfrentaram nas urnas e Hartung levou a melhor.
Em 2022, Casagrande foi reeleito após uma disputa duríssima em que o ex-deputado federal Carlos Manato (PL), ancorado no bolsonarismo, foi o principal adversário. Guerino Zanon, representante de uma direita não radical, teve um desempenho tímido, assim como Aridelmo Teixeira (Novo), outro aliado de Hartung.
Em 2026, Casagrande não vai disputar o comando do Executivo, não pode, uma vez que já está no segundo mandato consecutivo no cargo (o terceiro não consecutivo).
Isso deixa uma "avenida aberta", para lançar mão de uma expressão muito utilizada pelo ex-governador, para que o sucessor eleito, pela primeira vez desde 2002, não seja nem Hartung nem Casagrande. Isso, claro, se Hartung não disputar.
Pazolini parece ser a "nova liderança" na qual os adversários do atual governador apostam. Casagrande, por sua vez, já citou o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) e os prefeitos Arnaldinho Borgo (Podemos), Sérgio Vidigal (PDT) e Euclério Sampaio (MDB) como possíveis candidatos ao Palácio Anchieta.
SINAIS
Hartung gostou da série Cem Anos de Solidão. "Aí, tá vendo, está cansado de ficar isolado". É apenas uma boa série mesmo, que não provocou a ira generalizada dos fãs do livro, o que já é uma vitória.
"Ah, mas ele mandou recado de que 'ainda está aqui'". O artigo recomendado por ele, de Maria Hermínia Tavares, publicado na Folha de S. Paulo, fala, principalmente, do livro "Democracia Negociada: Política Partidária no Brasil da Nova República".
Nem tudo são "sinais, fortes sinais".

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, também como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 até 2021, quando assumiu a coluna Letícia Gonçalves.

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