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Sérgio Tannuri
"Não basta reclamar. O consumidor tem que agir, cobrar e denunciar"
Advogado  especializado aponta  erros cometidos por empresas e consumidores, elogia a legislação do setor, mas lamenta lentidão da Justiça e das agências reguladoras

Leonel Ximenes

Colunista

Publicado em 11 de Novembro de 2019 às 04:30

Publicado em

11 nov 2019 às 04:30

Levar informação ao consumidor, para que ele conheça melhor seus direitos, é uma das preocupações do advogado Sérgio Tannuri, especializado em Direito do Consumidor.  Para orientar o contribuinte,  Tannuri elaborou o e-book (gratuito) “Serviços Públicos e Concessionárias – Direitos do Consumidor, definições, estatísticas e dúvidas frequentes”, que reúne as principais informações e direitos dos cidadãos, como acessar as agências reguladoras e os órgãos de defesa do consumidor. “Decidi elaborar um e-book que contemplasse as informações porque tratar o consumidor com transparência e respeito é fundamental”, destaca.

O e-book pode ser acessado no endereço: www.pergunteprotannuri.com.br

O consumidor brasileiro tem consciência plena dos seus direitos?

O consumidor brasileiro está mais consciente e aprendeu a reclamar. Porém, reclamar só não leva a nada; tem que agir, denunciar e cobrar. Ainda tem muito o que melhorar, pois falta  espaço de divulgação de pautas relativas à defesa dos direitos dos consumidores.

Quais os setores da economia que ainda causam mais problemas na relação com o consumidor?

Os setores de serviços, principalmente o de serviços públicos. Setores como telefonia, energia elétrica e saúde são campeões de reclamações.

A legislação brasileira atual dá conta das demandas da relação de consumo?

Sim, a legislação é boa. Tanto o Código de Defesa do Consumidor quanto as leis correlatas. O que falta é mais agilidade por parte da Justiça e das agências reguladoras.

Quais os erros mais comuns cometidos pelo consumidor?

Não documentar cada passo da transação, desde a oferta até a conclusão do negócio; não exigir nota fiscal e ter preguiça de pesquisar o histórico do fornecedor.

E pelas empresas?

Não respeitar o sigilo dos dados dos consumidores; fazer afirmações falsas e enganosas; descumprir prazo de entrega e praticar venda casada.

Quem dá mais trabalho ao consumidor, os órgãos públicos ou as empresas privadas?

Ambos. Ressalvando que têm muitas empresas públicas e privadas que merecem elogios no relacionamento com os clientes. O medo de publicidade negativa em redes sociais faz com que as marcas aperfeiçoem os seus serviços e resolvam logo os problemas dos clientes.

No Brasil, as agências reguladoras têm independência e autonomia suficientes para atuar em relação ao poder do Estado?

Sim, têm autonomia. O problema das agências reguladoras é que elas precisam atuar com mais contundência e mais rapidez na defesa do direito dos cidadãos. Por exemplo, o setor aéreo é dominado por três grandes empresas, que dominam o mercado. Por que não abrir mais o mercado?

O Poder Judiciário tem estrutura e agilidade suficientes na área do Direito do Consumidor?

Não, infelizmente as ações correm na mesma velocidade que as demais.

Quais países o sr. identifica como modelo para o consumidor e por quê?

Os Estados Unidos são referência porque lá não tem um código do consumidor, mas todas as lojas do comércio e todas as indústrias respeitam os consumidores, por mera vontade. Por exemplo, nos EUA as lojas trocam produtos mesmo sem ter uma lei que as obrigassem a tal.

Como o consumidor pode fugir das armadilhas utilizadas para seduzi-lo?

Pesquisando e buscando informações que o protejam de práticas abusivas e desleais.

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