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Medicina

O conselho que dou aos jovens médicos

Que dizer ao médico que chega agora a este mundo todo conectado? Quando estudei Medicina, não havia internet. Hoje, o paciente angustiado procura no Google, em fontes confiáveis ou nem tanto, informações variadas de seus sintomas

Públicado em 

30 jun 2022 às 02:00
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

Fachada da Emescam
Fachada da Emescam Crédito: Divulgação
Na primeira semana deste mês de julho ocorre a formatura da turma 63 de Medicina da Emescam. As tocantes homenagens que esses jovens fizeram a vários de seus professores nos provocam o desejo sincero de uma mensagem que possa lhes traduzir alguma luz sobre o futuro.
Que dizer ao médico que chega agora a este mundo todo conectado? Quando estudei Medicina, não havia internet. Hoje, o paciente angustiado procura no Google, em fontes confiáveis ou nem tanto, informações variadas de seus sintomas, quiçá dos remédios e seus riscos.
Por outro lado, a quantidade de pesquisas e trabalhos científicos publicados é mais veloz que a capacidade do médico acompanhar. A Universidade de Stanford (EUA) estima que a publicação de dados de pesquisa médica em gigabytes quase dobre a cada 2 anos! O jovem candidato a doutor precisa ter prazer de estudar. Precisa ter a comichão de estar sempre com vontade de aprender.
O dilema é que muitas coisas que aprendeu na faculdade estarão logo obsoletas, muitas certezas cairão por terra, serão substituídas por novas descobertas. Disse um reitor da Universidade de Harvard em uma solenidade de formatura: “Metade das verdades que aqui aprenderam são mentiras! Vocês terão que descobrir por vocês mesmos qual metade é!”
O melhor conselho que dou aos jovens doutores, no entanto, é que a Medicina, antes de ser ciência, é arte! A arte de amar com reverência as almas e corpos aos nossos cuidados. É um privilégio cuidar de pessoas. Mantenham sempre, meus jovens colegas, humildade e paciência para ouvir, mas também o indisfarçável orgulho de viver cuidando de gente, velando por almas e vidas a vocês confiadas.

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doenças Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaço quer refletir sobre saúde e qualidade de vida na pandemia.

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