Na primeira semana deste mês de julho ocorre a formatura da turma 63 de Medicina da Emescam. As tocantes homenagens que esses jovens fizeram a vários de seus professores nos provocam o desejo sincero de uma mensagem que possa lhes traduzir alguma luz sobre o futuro.
Que dizer ao médico que chega agora a este mundo todo conectado? Quando estudei Medicina, não havia internet. Hoje, o paciente angustiado procura no Google, em fontes confiáveis ou nem tanto, informações variadas de seus sintomas, quiçá dos remédios e seus riscos.
Por outro lado, a quantidade de pesquisas e trabalhos científicos publicados é mais veloz que a capacidade do médico acompanhar. A Universidade de Stanford (EUA) estima que a publicação de dados de pesquisa médica em gigabytes quase dobre a cada 2 anos! O jovem candidato a doutor precisa ter prazer de estudar. Precisa ter a comichão de estar sempre com vontade de aprender.
O dilema é que muitas coisas que aprendeu na faculdade estarão logo obsoletas, muitas certezas cairão por terra, serão substituídas por novas descobertas. Disse um reitor da Universidade de Harvard em uma solenidade de formatura: “Metade das verdades que aqui aprenderam são mentiras! Vocês terão que descobrir por vocês mesmos qual metade é!”
O melhor conselho que dou aos jovens doutores, no entanto, é que a Medicina, antes de ser ciência, é arte! A arte de amar com reverência as almas e corpos aos nossos cuidados. É um privilégio cuidar de pessoas. Mantenham sempre, meus jovens colegas, humildade e paciência para ouvir, mas também o indisfarçável orgulho de viver cuidando de gente, velando por almas e vidas a vocês confiadas.