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José Carlos Corrêa

Punir filiados por votos contrários à orientação do partido é equívoco

Parlamentares votaram com convicção a favor da reforma, mesmo contra a orientação do partido

Publicado em 26 de Julho de 2019 às 16:18

Públicado em 

26 jul 2019 às 16:18
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Felipe Rigoni e Ted Conti Crédito: Chico Ferreira/Divulgação
Há 34 anos, o PT cometeu um erro histórico do qual se arrependeu amargamente. Fechou questão contra a eleição indireta de Tancredo Neves e decidiu punir, com a expulsão, quem desobedeceu a orientação. Foram expulsos do partido, na época, os deputados Beth Mendes, Airton Soares e José Eudes.
Demonstrando não ter aprendido a lição, o PT repetiu a prática em 2003 quando da votação da reforma da Previdência proposta pelo presidente Lula. Quem criticava a agenda de reformas do governo foi banido do partido. Entre esses estavam a senadora Heloísa Helena e os deputados Babá, João Fontes e Luciana Genro. Os punidos se juntaram a outros descontentes com os rumos do partido e fundaram o PSOL.
A história se repete com os sinais trocados no PSB e no PDT em relação à reforma da Previdência proposta por Bolsonaro. No PDT, Ciro Gomes pede a cabeça dos oito dissidentes que votaram pela aprovação da proposta no dia 10. No PSB, são 11 os ameaçados de expulsão, entre os quais os parlamentares capixabas Felipe Rigoni e Ted Conti.
Basta relembrar os exemplos anteriores do PT para constatar que a decisão de punir filiados por votos dados contrários à orientação do partido é um equívoco que acaba se tornando um tiro no pé. O caso dos dois deputados capixabas é emblemático: ambos afirmam que votaram com convicção já que consideram – assim como todos os brasileiros de bom senso – que a reforma da Previdência é indispensável para que o país equilibre as contas públicas, supere a crise econômica e retome o caminho do desenvolvimento que traga de volta os investimentos e as oportunidades de trabalho.
A ninguém é dado o direito de desconhecer que as alterações no perfil demográfico da população – em que a expectativa de vida do brasileiro saltou de 54 para 76 anos em cinco décadas – levaram as contas da Previdência do país, dos Estados e dos municípios a déficits colossais e crescentes. Déficits que tendem a consumir uma parcela cada vez maior dos orçamentos públicos inviabilizando investimentos e até mesmo o pagamento de servidores e aposentados.
Não é sem razão que o governador do Espírito Santo, que integra a direção nacional do PSB, é favorável à reforma, já tendo dito que irá propor a reforma da Previdência estadual caso os Estados não sejam reincluídos na proposta federal.
É esta a realidade que leva parlamentares, como Rigoni e Conti, a votarem “com convicção” a favor da reforma, mesmo contra a orientação do partido. Orientação, aliás, ligada tão somente a posições políticas que têm a ver mais com as perspectivas eleitorais do que com o bem-estar dos brasileiros.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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