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Economia

As consequências da língua solta presidencial

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, por outro lado, tenta se equilibrar entre o que pensa o Banco Central, o mercado e o populismo de Lula

Públicado em 

10 fev 2023 às 00:15
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Lula diz que não há justificativa para Selic estar em 13,75% ao ano
Lula diz que não há justificativa para Selic estar em 13,75% ao ano Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil
O Brasil conviveu, nos últimos quatro anos, com um presidente falastrão que provocava pelo menos uma crise política por dia com a sua língua solta e sua linguagem propositadamente vaga e cheia de dubiedades, insinuações e ameaças. Na área econômica – apesar de, na maioria das vezes, confiar as decisões ao seu “posto Ipiranga” Paulo Guedes – não se cansava de procurar interferir nos preços dos combustíveis e da energia elétrica, repetindo um discurso de palanque que não considerava o fato de que as palavras ditas por um presidente da República têm peso considerável no comportamento das pessoas, produtoras, investidoras, ou simplesmente consumidoras.
Lula, empossado há pouco mais de trinta dias, parece seguir o mesmo caminho. Não demonstra ter aprendido, nos dois mandatos anteriores que exerceu – e no desgoverno de Dilma Rousseff –, que é obrigação de um presidente da República pesar as palavras e avaliar as suas consequências antes de dizê-las em público. Nesta semana, repetindo o que já vinha fazendo nas semanas anteriores, voltou a dar palpites sobre a economia brasileira, aumentando as incertezas do mercado e colocando o seu ministro em uma saia justíssima.
Entre outras coisas, Lula criticou a manutenção da taxa Selic em 13,75% decidida pelo Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, defendeu o fim de autonomia do Banco Central, e disse que a meta de inflação de 3,25% é muito baixa, sugerindo aumentá-la. Anteriormente já havia criticado o teto de gastos, as privatizações e a política de equilíbrio fiscal que, segundo ele, deveria ficar subordinada ao equilíbrio social, sem dar importância ao passivo de R$ 300 bilhões já previstos no orçamento para 2023. Enfim, para Lula, a responsabilidade fiscal, sem a qual não há desenvolvimento que se sustente, não está entre as prioridades do seu governo.
Fiel às suas responsabilidades constitucionais, o Copom não cedeu às pressões do Governo e manteve a taxa básica de juros “por um período mais prolongado” para tentar “assegurar a convergência da inflação”. O Comitê – em sintonia com a maioria dos analistas do mercado – identificou piora nas expectativas de inflação a longo prazo, sinalizando que poderá manter os juros no mesmo patamar pelo menos por mais alguns meses. Afinal de contas, é ele o responsável pela política monetária que tem como propósito manter a inflação sob controle, próxima à meta.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, por outro lado, tenta se equilibrar entre o que pensa o Banco Central, o mercado e o populismo de Lula. Com jeitinho, disse que o Banco Central “poderia ter sido mais generoso” com o governo e promete “harmonizar” a política fiscal (as receitas e despesas do Governo) com a política monetária definida pelo Banco Central. Ele sabe, melhor do que ninguém, que acabar com a autonomia do Banco Central é apenas mais um dos sonhos populistas e autoritários de Lula que, felizmente, não tem a menor viabilidade de avançar no Congresso Nacional.
Enquanto isso, vamos nós brasileiros tentando nos acostumar a mais quatro anos de crises desnecessárias, de oscilações bruscas na bolsa de valores, no câmbio e na inflação, provocadas pela língua solta de governantes que se mostram incapazes de aprender os mais elementares conceitos de economia mesmo tendo a imensa responsabilidade de dirigir um dos maiores países do mundo.
E nós sabemos muito bem quem, no final dessa história, paga a conta de tantos prejuízos causados pelo despreparo de nossos governantes: o povo brasileiro.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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