Nas últimas semanas, o governo federal tem tratado a questão da comunicação em sua gestão. O fato é que o governo reconhece fragilidade na sua comunicação e informa a necessidade de criar um plano de comunicação mais estratégico.
Na semana passada, dois fatos passam a integrar esse cardápio de opções em que o governo federal através da Secretaria de Comunicação tenta imprimir: o primeiro foi a divulgação da projeção do aumento do investimento publicitário para 2025 e o segundo a divulgação de uma nova pesquisa dando conta de mais uma desaprovação do presidente Lula e de seu governo.
A verba publicitária do governo federal pode atingir neste ano um investimento na ordem de R$ 3,5 bilhões. Aqui estão incluídas todas as verbas publicitárias com ministérios, bancos e estatais. Isso ocorre, coincidência ou não, no momento de grande fragilidade de imagem do presidente Lula e da queda de sua popularidade.
Por outro lado, a nova pesquisa Atlas Intel demonstra que Lula chegou a uma desaprovação de 53% contra 47% de aprovação. Uma pesquisa totalmente em linha com as demais pesquisas divulgadas até aqui. O governo vem perdendo musculatura, e a troca no comando da Secretaria de Comunicação (Secom) ainda não surtiu os efeitos necessários.
Segundo o levantamento da Folha de São Paulo, a verba publicitária leva em conta os contratos vigentes com as agências e as licitações em curso, como a do Correios e de outros quatro órgãos que somam mais de R$ 700 milhões. Para efeitos comparativos, “no último ano do governo Bolsonaro, os contratos com publicidade somavam cerca de R$ 2,5 bilhões em valores corrigidos”.
Como tenho frisado aqui, o problema de comunicação é algo comum na vida das empresas e governos. A comunicação precisa partir de algo concreto e factível. Precisa ser real para atingir seus objetivos. O aumento da verba publicitária, embora possa escandalizar alguns, faz parte do direito da população ser informada dos programas, ações e realizações do governo, mas não consiste em si só em aumento de eficiência da comunicação.
Sem entregas sólidas a comunicação torna-se vazia e sem efeito. Ou melhor, pode passar uma visão para população de desperdício do dinheiro público. Volto a repetir. A comunicação é meio. E desconsiderar isso é um erro primário, podendo fazer com que o efeito se volte para o próprio governo.