Há uma clara dissociação e impossibilidade de convergência entre os reais interesses do mercado e os interesses da sociedade no que diz respeito ao pacote fiscal que acabou de ser apresentado pelo Governo Federal, no último dia 28 de novembro.
O Presidente Lula e o ministro Fernando Haddad, em corda bamba, buscam um equilíbrio impossível de ser alcançado. O que está em jogo é o tamanho do Estado que cada um dos grupos em disputa considera o ideal.
Registre-se que, ideal, aqui considerado, é o tamanho do Estado que seja mais favorável à manutenção dos privilégios do mercado ou favorável ao atendimento das necessidades da sociedade.
Por mais que o discurso argumentativo de defesa do pacote fiscal se sustente na ideia da necessidade urgente de uma estabilização fiscal, o certo é que o que de fato interessa ao mercado não é, em nenhuma hipótese, a busca daquilo que se convencionou chamar de equilíbrio fiscal. Uma coisa é o discurso da austeridade tão propagado com críticas ácidas a um governo que se propôs à busca de reduzir as desigualdades por meio da ampliação dos direitos de cidadania, entre eles os direitos à saúde e à educação, outra coisa é o interesse claro das elites econômicas e políticas em manter seus privilégios.
O pacote fiscal, apresentado por Fernando Haddad e Lula, é um jogo de bambolê, no qual, na tentativa de manter a governabilidade, sem perder sua credibilidade política e as promessas de campanha e a fidelidade a um ideário de defesa de justiça social, igualdade e coerência, exercita-se um “tira e bota” difícil de ser concretizado na prática. Ganhamos, ou melhor, não perdemos, na saúde e na educação, mas perdemos em diversas outras frentes.
A partir de agora veremos a verdadeira disputa que se dá no parlamento. O Centrão já começou a se mobilizar mantendo a corda esticada na tentativa de alcançar os verdadeiros interesses em disputa, dos grupos que representa, em especial os interesses do mercado.
Cabe a nós, sociedade civil, fazermos os enfrentamentos necessários para manter conquistas históricas que não podem retroceder, sustentando os defensores dos Direitos de Cidadania que, de fato, são os representantes do povo brasileiro.