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Jornalista de A Gazeta. Há 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica.

Vale é a grande beneficiada com construção da ferrovia

Investimento em trecho de Vitória a Anchieta não resolve gargalo de infraestrutura

Publicado em 07/08/2018 às 22h59
Trem da Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM). Crédito: Agência Vale/Divulgação
Trem da Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM). Crédito: Agência Vale/Divulgação

Ainda há muita água para rolar no imbróglio envolvendo a construção da ferrovia no Estado. Mas, até agora, a avaliação que se faz é que a mineradora é quem está saindo vitoriosa nessa história. Por mais que tenham sido raros os momentos em que a companhia se pronunciou publicamente sobre o tema, nas entrelinhas, a leitura é de que ela não poderia ter feito jogada melhor.

Além de estar garantindo a renovação antecipada da Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM) por mais 30 anos junto à União, está voltando a fazer as pazes com o governo do Estado ao negociar a construção de parte da EF-118, com a viabilização de um trecho de 72 quilômetros ligando a Capital a Ubu, em Anchieta.

Somado a isso, para efetivar a extensão da malha férrea, vai desembolsar R$ 1,8 bilhão em créditos do ICMS que tem com o Estado pela Lei Kandir, recurso muitas vezes considerado como “moeda podre” no caixa das empresas, ou seja, vai investir quase R$ 2 bilhões sem causar grandes impactos nas suas demonstrações financeiras. E ainda, de quebra, vai fortalecer suas operações logísticas, uma vez que a estrada de ferro chegará à Samarco e ao Porto de Ubu, ambos controlados pela Vale em conjunto com a BHP Billiton.

Conclusão: a Vale está fazendo um negócio e tanto e, como empresa privada, está no seu papel de buscar o que é melhor para ela. A questão é que do ponto de vista das compensações para o Espírito Santo e da busca pela melhoria da infraestrutura, os acordos que estão sendo colocados à mesa ainda não resolvem os problemas. O Sul capixaba continuará isolado e projetos como o do Porto Central, em Kennedy, com a concepção de um terminal de cargas gerais, ficam na berlinda.

Por mais que lideranças políticas, especialmente o governador Paulo Hartung, venham buscando soluções para conseguir recursos para construir o restante do trecho até Presidente Kennedy, ou no melhor dos mundos até o Rio de Janeiro, não há garantia alguma de que o governo federal vai reservar dinheiro para este fim.

Uma fonte do mercado avalia que se essa equação não for resolvida desde já, dificilmente o ramal completo será efetivado. E pondera que três fatores têm norteado a mineradora na forma de conduzir (em silêncio) esse debate: “1º: a Vale não tem interesse de abrir um corredor para concorrentes de minério. 2º: essas indefinições fazem com que a negociação para a compra da Samarco que ela vem tendo com a BHP não seja valorizada financeiramente. E 3º: ela não antecipa um movimento que teme, que é ser ‘expulsa’, em relação a suas operações, da Grande Vitória para Ubu, no médio prazo”.

José Maria Novaes, presidente do Porto Central, diz que a empresa está preocupada e engessada diante das indefinições sobre a ferrovia. Ele cita que já há carta de intenções junto a outras companhias para que o porto movimente cerca de 10 milhões de toneladas de cargas como grãos e fertilizantes. Mas que essas negociações foram congeladas. “Isso prejudica o Porto Central a tomar a decisão de construir. A ferrovia não pode parar em Ubu. Isso é prejudicial para toda a economia capixaba. Esperamos que o governo federal faça a parte dele.” 

Cobrança na lata

O governador Paulo Hartung cobrou na terça-feira (07), durante a abertura da Mec Show 2018, que empresários e entidades participem do processo para a construção da ferrovia. Ele se queixou do baixo envolvimento do setor produtivo e disse que tem se sentido sozinho nessa luta.

Subdimensionado

O senador Ricardo Ferraço protocolou ontem junto ao TCU um pedido para que o órgão faça uma auditoria e suspenda o processo de renovação antecipada dos contratos de concessão ferroviária da Vale. Na justificativa, Ferraço alega que os recursos da outorga devem ser aplicados no ES e que o valor calculado pela União, de R$ 4 bilhões, está subestimado.

ES na briga pelo fundo

Nesta quarta-feira (08), às 14h30, será instalada em Brasília a comissão para discutir o Fundo Nacional de Desenvolvimento Ferroviário. O deputado Lelo Coimbra, que vai integrar a comissão, contou que o objetivo é buscar recursos para complementar a construção da EF-118. Também em relação ao tema, o senador Ricardo Ferraço apresentou duas emendas à MP que cria o fundo.

Sobe - Coluna Beatriz SeixasLogística para atender ES e RJ

A operadora logística Tegma anunciou que vai inaugurar um centro de distribuição (CD) no ES a partir da 2ª quinzena deste mês para atender o setor farmacêutico. O espaço, na Serra, terá 7 mil m2 de área.

Desce - Coluna Beatriz SeixasÉ mole?

Um representante da Prefeitura de Divino de São Lourenço foi questionado por que o município tinha apresentado queda em índices socioeconômicos. A resposta foi: “O pessoal das finanças não sabe dizer o motivo”.

DE GRÃO EM GRÃO

 

O setor cafeeiro capixaba está otimista com as exportações em 2018. Segundo o presidente do CCCV, Jorge Luiz Nichhio, a previsão é que 1 milhão de sacas de conilon sejam enviadas ao exterior neste 2º semestre. No acumulado do ano, o número deve chegar a 1,5 milhão de sacas, resultado bem superior ao dos últimos 4 anos. Outra expectativa é que a comercialização do novo sabor de café da Coca-Cola gere uma demanda entre os produtores locais.

INFLUÊNCIA DAS REDES

 

O Estado, que já chegou a ter mais celulares do que habitantes, vê o seu número de linhas móveis reduzir ano a ano. Atualmente, há 3,8 milhões de chips sendo usados, número próximo ao registrado no início de 2011. De 2015 para cá, houve um recuo de 14%. A grande utilização de redes sociais, como o WhatsApp, é apontada como um dos principais fatores para o usuário de telefonia não ter mais de uma conta em diferentes operadoras.

Gráfico mostra a evolução da quantidade de linhas de celular no ES. Crédito: Marcelo Franco
Gráfico mostra a evolução da quantidade de linhas de celular no ES. Crédito: Marcelo Franco

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