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Angelo Passos

Governo não tem dinheiro, mas políticos não estão nem aí

Fundo eleitoral pode ter R$ 2,5 bilhões, mas para o Ministério da Saúde a verba é de apenas R$ 2,1 bilhões

Publicado em 05 de Setembro de 2019 às 22:59

Públicado em 

05 set 2019 às 22:59
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos

Fundo partidário - Partidos terão mais recursos para as eleições, enquanto os investimentos no povo ficam em segundo plano do governo federal Crédito: Divulgação
Representantes da velha política continuam dando as cartas. Estão preparando a conta que o povo vai pagar pelas eleições no próximo ano, para prefeito e vereador. O quantum ainda não foi definido, mas uma coisa é certa: virá pesadíssima. Será o pleito mais caro bancado pelo nosso bolso.
Falta dinheiro no setor público até para necessidades básicas da população (saúde, educação etc) e para as instituições. E vai continuar assim, porque a arrecadação é insuficiente e Bolsonaro decidiu (acertadamente) manter o teto de gastos governamentais, criado por Temer. Mesmo com a reforma da Previdência, o arrocho fiscal de 2020 será pior do que o de 2019.
Menos para os políticos. Esses se poupam e são poupados da crise. Por causa do medo do governo de desagradar a velha política, a previsão do fundo eleitoral de 2020 atinge R$ 2,5 bilhões. Espantoso! 48% maior do que o montante gasto no pleito de 2018, quando R$ 1,7 bilhão saiu dos cofres públicos para bancar as despesas dos candidatos. O percentual é 12 vezes maior do que a inflação estimada para o próximo ano.
Esse absurdo (com péssima repercussão nas redes sociais) consta do projeto de lei orçamentária (Ploa) enviado pelo governo ao Congresso. É um dos graves erros do primeiro esboço de Orçamento feito no período Bolsonaro. O arrocho é seletivo. R$ 2,5 bilhões para o fundo eleitoral significam R$ 400 milhões a mais do que a rubrica para o Ministério da Saúde, de apenas R$ 2,1 bilhões.
E pode ficar muito pior para o bolso dos cidadãos. A estimativa dos meios políticos é de que durante a discussão da matéria no Congresso o valor suba, no mínimo, para R$ 2,9 bilhões. Em julho, por outros meios, os deputados tentaram elevar essa cifra para até R$ 3,7 bilhões.
Além do eleitoral, tem o fundo partidário. É mais modesto: R$ 956 milhões, quantia quatro vezes maior do que a verba para avaliar e aperfeiçoar tratamentos no SUS. Os dois fundos são tidos como garantia contra o abuso do poder econômico nos partidos e nas eleições. Ótimo! Mas não se deveria tirar proveito disso e gerar outro abuso, o orçamentário. A soma das emendas individuais e de bancadas com os dois fundos pode chegar a R$ 20 bilhões, fora o custeio das duas casas - Câmara e Senado.
O setor público continua desembolsando mais do que deve. Se além da reforma da Previdência o governo não mudar o modelo de gastos, será obrigado a aumentar impostos.

Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

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