Bolsonaro desfila sua insegurança na estrada da administração do país. Retirada dos radares das rodovias, aumento do limite de pontos na CNH, interferência no reajuste do diesel, pacote de bondades para caminhoneiros (vitória da conveniência política sobre o planejamento econômico). Isso tudo em poucos dias. O governo segue derrapando. Hesitante sobre caminhos a seguir. Não encontrou o Posto Ipiranga.
Refém dos caminhoneiros? Uns dizem que sim. Mas, no fundo, é refém de si mesmo. O motor do governo rateia e a economia emperra. A marcha do crescimento é lenta demais. O que anda rápido é a perda de popularidade de Bolsonaro.
A palidez da economia também reflete a falta de paz na política. O bolsonarismo tem vocação para o confronto. Além das lutas nos ringues dos ministérios, o Planalto mostrou-se refratário a negociações com parlamentares. Quis partir para a briga, mas teve de recuar para não continuar apanhando no Congresso. Até agora, não sabe se conseguirá entregar promessas vitais - principalmente a reforma da Previdência, da qual dependem o ajuste fiscal e a redução da dívida pública. A incerteza paralisa investimentos.
O rompante autoritário manifestou-se no exterior com a intenção, até agora frustrada, de transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, uma provocação ao mundo árabe, que pode afetar exportações. A saída pela tangente foi a desnecessária abertura de um escritório comercial em Jerusalém, decisão que desagradou judeus e muçulmanos.
Também ao se alinhar deslumbradamente ao agitado Trump, Bolsonaro disseminou apreensão sobre negócios com a China, principal parceiro comercial Brasil. O agronegócio teme perdas. O Espírito Santo, idem, em função das commodities que exporta. “Queremos vender soja e minério de ferro, mas não vamos vender nossa alma”, afirmou mensagem recente do Itamaraty. O que significa essa advertência?
Às vezes, o alvo da provocação do presidente é uma grande massa de cidadãos. Foi o caso da tentativa de comemorar o golpe de 64. O governo promove desassossego.
O Brasil não sabe onde vai parar a estrada da gestão Bolsonaro. Uns dizem que pode ser curta. Pessoas responsáveis não torcem para que seja assim, mas para evitar essa dúvida, o governo deveria ter tanta preocupação com determinadas questões quanto demonstrou com as máquinas dos larápios de madeira apreendidas pelo Ibama.