A situação intimidatória relatada pela defesa do executor da médica Milena Gottardi em plena audiência é ultrajante, caso seja confirmada. Merece, portanto, uma investigação rigorosa. É inconcebível imaginar que se trame tão abertamente contra a Justiça, num escambo imoral: a retirada de um depoimento em troca de ajuda financeira no pagamento da defesa de Dionathas Alves Vieira, acusado de atirar na médica, e de Bruno Rodrigues Broetto, que teria roubado a moto utilizada por Dionathas no dia do crime.
Não cabe aqui antecipar qualquer julgamento de Hilário Frasson, acusado de ser o mandante do assassinato da própria ex-mulher. Isso é responsabilidade da Justiça, que começa a ser feita.
Mas o possível abuso não é exclusividade desse caso: está nas raízes elitistas do país a certeza de que as garras da Justiça não têm força contra quem detém algum poder econômico. Comprar o silêncio é fácil, nesses casos, quase natural para quem tem certeza de que pode tudo. É preciso interromper de vez o legado de impunidade que ainda resiste. A lei é para todos, sem exceção.