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Vitor Vogas

Casagrande vira alvo e Rose toma dele o estilingue

A Mesa Diretora da Assembleia pretende apresentar PEC para que a vaga de conselheiro do TCES condenado à perda de cargo (como é o caso de Valci Ferreira) seja imediatamente aberta

Publicado em 01 de Agosto de 2018 às 20:43

Públicado em 

01 ago 2018 às 20:43
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Crédito: Amarildo

Por mais que Casagrande reitere que a saída de Paulo Hartung da corrida eleitoral não altera em nada sua estratégia de campanha, naquela linha de que “time que quer ser campeão não escolhe adversário”, a realidade é bem diversa. Casagrande passou os últimos quase quatro anos preparando-se especificamente para a oportunidade de ir às forras e dar o troco em Hartung nas urnas, em novo enfrentamento direto. Não por acaso, modulou um discurso que é um mix de sensibilidade social (algo de que Hartung, nas entrelinhas, careceria) com responsabilidade fiscal (algo visto como o seu próprio ponto fraco como governante).

Com Hartung no páreo, Casagrande estava pronto para fazer a comparação de governos e criticar a gestão atual em seus pontos fracos, como os baixos níveis de investimentos e realizações tímidas desde 2015. De certa forma, a campanha com a participação de Hartung seria o momento ideal para se colocar o governo PH-III em julgamento e passá-lo a limpo.

Com a retirada estratégica de Hartung – que talvez pretendesse exatamente isto –, esse julgamento já não ocorrerá. Ficará em suspenso, talvez a cargo da História. E um cenário curioso se abre: o ex-governador, que já estava com o estilingue empunhado, pode passar de repente de pedra a vidraça. No lugar do atual, o que pode voltar a ser julgado politicamente é o governo do próprio Casagrande (2011-2014), incluindo suas realizações e, principalmente, não realizações, além de derrapagens na área fiscal. De novo, é o “Casagrande gestor” quem será escrutinado. Opositor sem ter agora a quem se opor, voltará a ser Casagrande simplesmente o “ex-governador”.

E aí entra em cena Rose de Freitas (Podemos), cujo papel pode ser fundamental nessa redefinição do “lugar” de Casagrande na campanha.

Franco-atiradora, Rose pode comodamente arrancar a seta das mãos do adversário e passar a mirar em seus pontos vulneráveis, sobretudo se assessorada por agentes do atual governo – os mesmos que já atenderam em grande número ao “vinde a mim” da senadora.

Ao longo de décadas dando duro no Congresso, Rose conquistou respeito e uma reputação merecida de parlamentar “realizadora”, que luta pelos interesses do Espírito Santo junto ao governo federal. Bem articulada em Brasília, apresenta comprovada eficiência em batalhar, destravar e conquistar recursos federais para os municípios capixabas. Cultiva a fama de “senadora que entrega o produto”.

Se for por essa vertente, Rose pode se apresentar como política que dá resultado, disposta a transpor para o governo essa capacidade de articulação extensamente demonstrada no Legislativo, em contraponto a Casagrande, que pode ser pintado por ela como governante já testado, que já teve sua chance no governo, mas que, quando pôde fazer, não entregou os resultados esperados.

Em seu discurso na convenção do PSD no último domingo, ao alfinetar o socialista, Rose indicou que pretende mesmo explorar esse flanco: “Não adianta o Renato querer me dizer que ele vai fazer, porque eu o ajudei no governo. Por que ele não fez até então? Me deem a oportunidade de fazer pelo povo do Estado aquilo que é preciso que se faça”.

No mesmo discurso, Rose indicou que vai mesmo intensificar a autoimagem exposta acima. “Não pensem que é fácil tirar dinheiro em Brasília. (...) Não tem um prefeito deste Estado que eu não tenha estendido a mão. (...) Se posso trazer tantos recursos para o Estado, quero governar trazendo para onde realmente ele precisa”, disse ela, citando de poços artesianos em São Mateus à viabilização do novo Aeroporto de Vitória.

Colocando-se para valer no jogo – ainda mais agora, com tantos neoconvertidos de peso (MDB, PSD, PRB etc.) –, Rose pode passar a disputar com Casagrande o vácuo deixado por PH a partir da desistência dele. Por enquanto, o socialista passeia sozinho nesse vácuo, praticamente como único candidato na cabeça das pessoas, a ponto de capturar a maior parte dos votos que iriam para PH, conforme identificou a pesquisa Futura publicada por A GAZETA em 17 de julho, logo após o “não vou” de Hartung.

Mas Rose pode entrar no mesmo vácuo e passar a disputar esses votos com Casagrande, a partir do momento que botar sua campanha na rua e aparecer mais como candidata para a população.

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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