Como a Previdência influenciará o país nos próximos anos? Candidatos ao Planalto – principalmente eles, além dos que aspiram mandatos no Congresso – precisam dizer o que pensam da situação da seguridade social e apresentar propostas para sanar o déficit financeiro.
Assim, poderão ser avaliadas perspectivas de governabilidade sob o aspecto fiscal, que se reflete diretamente nos serviços estatais e nas possibilidades de crescimento do PIB.
As contas da União estão, desde 2014, na UTI, acumulando rombos que tolhem a gestão e intranquilizam a economia. Por isso, o Brasil perdeu o selo de bom pagador conferido pelas agências de risco, afugentando investimentos de fora que deveriam estar gerando emprego e renda por aqui.
A causa principal desse cenário é o gigantesco buraco no caixa previdenciário: R$ 192,84 bilhões em 2018, segundo consta do orçamento aprovado pelo Congresso. Não há a menor possibilidade de ser coberto pela receita tributária, afinal, quem topa pagar mais imposto?
É inadmissível o governo continuar injetando 55% de todo o dinheiro que arrecada apenas na Previdência. Na marcha que vai, a proporção chegará a 82% em 2022. Isso implicará cortes cada vez mais acentuados de recursos para saúde, educação, saneamento... É cruel para a sociedade, principalmente para os cidadãos de menor renda, mais dependentes de serviços públicos.
Se as regras de aposentadoria e pensão não forem mudadas no início de 2019, o novo presidente terá de reduzir em R$ 14 bilhões as verbas em diversas áreas para evitar o descontrole fiscal, conforme cálculo do Ministério do Planejamento. Vale lembrar que, quando Grécia perdeu as rédeas do orçamento, o gasto com a Previdência era de 11% do PIB. No Brasil já suga 13%.
O que os candidatos têm a dizer e a propor em relação a essa dificuldade? Vamos cobrar.