O Espírito Santo viveu na segunda-feira (16) um dia de caos, com enormes áreas alagadas. Casas e comércios foram invadidos pelas águas, com prejuízos incalculáveis. Mas onde estavam as autoridades? Com raríssima exceção, naufragaram em uma estratégia incondizente com o clamor das ruas e apenas fizeram propagandas nas redes sociais. Mas socializar mesmo, vendo de perto os dramas de seus cidadãos...
Fiquemos com exemplos da Grande Vitória, região mais afetada pelas chuvas. O prefeito da Capital, Luciano Rezende, fez apenas uma transmissão ao vivo na internet, comentando sobre o bom funcionamento do sistema de bombeamento da cidade. Mas não disse que as estações não deram conta do volume de água mesmo na maré baixa nem citou os bueiros entupidos. Em Vila Velha, os comunicados de Max Filho também se limitaram a uma rede social, com posts frios e marqueteiros, que abusavam de hashtags como #AvançaVilaVelha #VVmaisHumana e #GestãoTransparente. Humana? Transparente? Parece ironia.
O contraponto foi o prefeito de Cariacica, Juninho, que se reuniu com moradores, visitou famílias atingidas. Colocou o pé na lama e assumiu o leme. Uma ilha nesse mar de frialdade. Neste momento de infortúnio, nem mesmo o governo do Estado, que não é o responsável direto pela administração da crise, poderia se furtar a um acompanhamento mais humano. Mas o governador Paulo Hartung apenas manteve a agenda, enquanto a Fonte Grande, onde fica a sede do Palácio, estava debaixo d’água.
Assim como os amigos, os bons gestores são revelados não apenas nos momentos de glória, mas também nas horas de aperto. A população pode não esquecer o desdém. Depois nenhum deles poderá reclamar se os barcos de futuras campanhas fizerem água.